Prêmio Nobel em Física publicou em revista brasileira

Artigo impresso em 1993 na Revista de Física Aplicada e Instrumentação da SBF tem um autor brasileiro e três estrangeiros, dos quais dois são nobelistas

wineland_postcardExiste uma grande discussão, em praticamente todas as sociedades científicas brasileiras, sobre a validade de publicar uma revista nacional para artigos científicos. Há quem diga que é difícil alavancar trabalhos de relevância e que mesmo os pesquisadores brasileiros tendem a optar por revistas estrangeiras na hora de divulgar seus resultados, tornando inócuo o esforço. Mas o Prêmio Nobel em Física deste ano mostra que não precisa ser assim.

David J. Wineland, vencedor deste ano junto com Serge Haroche, foi premiado pelo desenvolvimento de "métodos experimentais revolucionários que permitem a medição e manipulação de sistemas quânticos individuais", de acordo com a comissão da Academia Real de Ciências da Suécia, que concede o prêmio. E foi exatamente nesse tema que ele publicou um trabalho no Brasil, em 1993, na Revista de Física Aplicada e Instrumentação, da SBF.

Entre os autores do trabalho, intitulado "Construction and operation of a laser trap which captures sodium atoms from a vapor" (Construção e operação de uma armadilha a laser que captura átomos de sódio de um vapor), há outros pesquisadores notáveis: William Philips, que receberia seu Nobel quatro anos depois, Gregory Lafyatis, da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, e Vanderlei Salvador Bagnato, do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP).

A publicação é tida como histórica, segundo Euclydes Marega Jr., pesquisador do IFSC-USP e coordenador da Olimpíada Brasileira de Física. "Merece um destaque", enfatiza.

Não só porque é um trabalho relevante, diretamente ligado à linha de pesquisa que concedeu a Wineland o Nobel, mas porque reacende a discussão sobre a necessidade de reforçar o papel das revistas científicas brasileiras. "É curioso notar que a SBF terminou com essa revista por falta de interesse da comunidade", afirma Ronald Shellard, vice-presidente da SBF. "Toda vez que cancelamos uma publicação nessas condições, estamos fechando uma porta, que depois dificilmente será reaberta." Ou seja, em vez de histórias como essa, da publicação de um nobelista numa revista brasileira serem uma celebração da ciência nacional, elas acabam sendo alertas do legado que pode ser deixado.

A atual direção da SBF tem uma preocupação muito clara com isso. Além de ter dado início às discussões para internacionalizar, em parceria com o IOP, a Revista Brasileira de Ensino de Física, a sociedade está trabalhando com afinco para dar novo sentido ao Brazilian Journal of Physics, principal publicação científica da organização. Uma parceria com a editora Springer foi firmada, de modo a dar mais agilidade e alcance à revista. Mas está claro que a comunidade precisa abraçar o projeto. Sem ela, o novo BJF corre o mesmo risco da Revista de Física Aplicada e Instrumentação – se tornar página virada na história da ciência brasileira.

DOCUMENTOS
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