Após visitar CERN, professores levam “nova cara” da física aos alunos

Escola para falantes de língua portuguesa levou 30 docentes brasileiros do Ensino Médio ao centro europeu de física de partículas

As aulas de física nunca mais serão as mesmas para os alunos dos professores de Ensino Médio que acabaram de retornar de uma visita ao CERN, grande centro europeu de pesquisa nuclear.

Como acontece desde 2009, a Sociedade Brasileira de Física abre a possibilidade de um grupo de docentes participar da chamada Escola de Física do CERN, voltada para professores falantes de língua portuguesa.

A iniciativa foi criada a princípio para atender aos professores portugueses, mas acabou expandida para abarcar também brasileiros e africanos. Na edição de 2012, ocorrida entre 26 e 31 de agosto, foram 30 os representantes brasileiros, conduzidos pelo chefe da delegação e coordenador brasileiro da Escola de Física do CERN, Nilson Marcos Dias Garcia, da Universidade Técnica Federal do Paraná (UTFPR). As bolsas são concedidas pela CAPES.

Os brasileiros que estiveram nas instalações da instituição agora retornam com uma visão bem mais abrangente do que se faz no centro que, por meio do maior acelerador de partículas do mundo, recentemente foi palco da descoberta do provável bóson de Higgs.

"É um centro efervescente da resolução de problemas", define Margareth Polido Pires Ferreira, professora de uma escola particular de São Paulo (SP). "Fiquei impressionada com a capacidade de resolver problemas do CERN. Como o CERN trabalha no limite da ciência e da tecnologia, no sentido de que trabalha com o inédito, são inúmeros os problemas que precisam de uma solução. Achei isso inebriante!"

Os professores também se encantaram com o espírito de cooperação internacional que encontraram. "O que mais me impressionou foi a grandeza e a complexidade dos experimentos realizados, que, fomentados pelo espírito colaborativo, congregam pesquisadores de várias nações que somam esforços em prol da ciência", diz Allan Victor Ribeiro, da Escola Centro Educacional SESI 358, em Bauru (SP).

Elo entre ciência e educação

Além de conhecerem de perto os desafios encarados pelos cientistas e técnicos que operam o Large Hadron Collider, maior acelerador de partículas do mundo, os professores puderam notar o esforço da instituição para que sua contribuição à sociedade não fique apenas na produção científica de ponta, mas se estenda, em última análise, à formação dos jovens -- os cientistas do futuro.

"Pela concepção da organização, é necessária essa aproximação entre aqueles que fazem pesquisa em física aplicada, os que fazem em ensino de física e a escola básica, pois dessa forma o ciclo de formação será cada vez maior e melhor", comenta Glauson Nogueira, professor da rede estadual do Distrito Federal.

Foi nesse contexto que se deu a visita dos professores brasileiros, que tiveram antes a chance também de fazer uma parada inicial em Lisboa, para conhecer o LIP (Laboratório de Insrtumentação e Física Experimental de Partículas) e visitar alguns pontos acadêmicos e culturais importantes da capital portuguesa. "Essa parada, ocorrida pela primeira vez, foi muito bem aproveitada", comenta Nilson Garcia.

Em Genebra, os professores ficaram hospedados no hotel do próprio CERN, o que facilitou bastante as atividades. Aí é que todos começaram a pegar no pesado para valer. Além de assistir a diversas palestras e fazer um tour das instalações, os professores realizavam diariamente reuniões de fechamento, elaboração de perguntas e troca de ideias.
Um momento especial, até porque permitia o intercâmbio de informações entre professores lusófonos de várias origens. "A organização dos grupos de trabalho foi intencionalmente multinacional", aponta o chefe da delegação brasileira.

Aplicação em aula

De volta ao Brasil, os professores agora buscarão aplicar em sala de aula o que aprenderam. O conteúdo programático do MEC não vai tão longe em sua estrutura curricular obrigatória, mas os mestres ressaltam que há liberdade para incluir conteúdos ao programa e tentar aproximar mais os alunos do que se discute modernamente na física.

"A lei sugere que toda escola trabalhe sob uma base comum, mas abre espaço para que cada instituição possa trabalhar a parte diversificada do currículo", diz Allan Ribeiro. "Articular ciência de fronteira e o currículo conservador é de fato uma tarefa difícil, porém possível."

Para Margareth Ferreira, o segredo é evitar cair na armadilha de conceber o curso de física apenas com o objetivo de dar ao aluno sucesso na difícil tarefa de transpor os exames de ingresso nas universidades. "Não há diálogo possível, se o que se pretende é que o estudante seja um solucionador de exercícios de vestibular", diz.

Ao aproximar o conteúdo mais moderno do professor e permitir que ele incorpore às aulas, ela vê a iniciativa da Escola de Física do CERN como uma ótima saída. "Acaba abrindo espaço para essa formação, para o conhecimento e para novas possibilidades de atuação."

E, a partir da semente plantada a cada ano, a ideia é que esse esforço se multiplique. Glauson Chaves já começou a aplicar o que aprendeu em sala de aula, para seus alunos, mas também sugeriu à Secretaria de Educação do Distrito Federal a realização de um encontro de professores de física na Escola de Aperfeiçoamento de Profissionais da Educação do DF -- EAPE -- em que ele possa passar adiante o que viu.

E a natureza experimental do CERN também pode inspirar os professores em atividades que fogem um pouco à tradicional dupla giz e lousa. "Pretendo implementar na minha escola a construção da câmara de bolhas para detecção de raios cósmicos", conta Allan Ribeiro.

Por essas e outras, é certo que, pelo menos para os alunos diretamente influenciados pela Escola de Física do CERN, o aprendizado da disciplina tende a se tornar mais arrojado e moderno.

CONTATOS


Nilson Marcos Dias Garcia (UTFPR)
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Allan Victor Ribeiro (Bauru/SP)
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Glauson Chaves (Brasília/DF)
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Margareth Ferreira (São Paulo/SP)
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