Físico revela bastidores da descoberta do Higgs

Pesquisador da UNESP ligado ao CERN apresenta a sequência de eventos que levou ao achado da fugidia partícula

primeira07O cenário que levou à descoberta do provável bóson de Higgs no LHC (Large Hadron Collider), maior acelerador de partículas do mundo, foi delineado durante o último dia da Segunda Conferência de Física da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Em apresentação na manhã desta quarta-feira, o físico Sérgio Novaes, do Instituto de Física Teórica da UNESP, apresentou sua visão particular do achado, do qual ele fez parte.

O famoso bóson ganhou esse nome em homenagem ao físico escocês Peter Higgs, um dos vários cientistas que desenvolveram a teoria de como as partículas poderiam ter massa. Era uma peça faltante para explicar como todo o resto se encaixa no chamado Modelo Padrão da Física de Partículas.

Trata-se da mais completa teoria física já desenvolvida, que explica em detalhes como funcionam todas as partículas e forças da natureza, exceto a gravitação (que ainda é província exclusiva da relatividade geral). Praticamente tudo nele já havia sido experimentalmente confirmado anteriormente, exceto o bóson de Higgs. É a última peça do quebra-cabeça.

Dúvidas para o futuro

Os pesquisadores das colaborações CMS e ATLAS – nomes dos dois experimentos responsáveis pelo achado – ainda são cautelosos ao afirmar com todas as letras que a nova partícula é mesmo o bóson de Higgs. Novaes, que faz parte do grupo do CMS, destaca que provavelmente se trata do próprio, mas só a sequência da análise dos dados permitirá concluir com certeza.

As colisões já analisadas mostram além de qualquer dúvida que há uma novidade: uma partícula com energia de cerca de 125 GeV (giga-elétronvolts) que decai, entre outras possibilidades, em um par de bósons Z (já conhecidos), que depois se dissolvem em outras partículas. É o resultado desses decaimentos sequenciais que é observado nos detectores do acelerador. A partir dele, os cientistas fazem a “engenharia reversa” do processo para identificar as características originais da partícula.

“Apesar de os eventos [de colisões de partículas no acelerador] sugerirem que estejamos diante do bóson de Higgs, a confirmação de que se trata realmente da partícula predita requer mais medidas comparativas”, afirma Novaes. Ele aposta que até o fim do ano esse quadro já esteja totalmente esclarecido.

A descoberta do Higgs sempre foi anunciada como principal meta para a construção do LHC. Agora que ele provavelmente foi encontrado, pode ficar para o público uma sensação de vazio. Mas o sentimento não é compartilhado pelos físicos.

“Em primeiro lugar, há um equívoco em focar muito no bóson de Higgs”, afirma Ronald Shellard, físico do CBPF e vice-presidente da SBF. “Todos concordamos que o bóson de Higgs não vale US$ 10 bilhões. Essa máquina, o LHC, foi concebida para explorar o Universo além do Modelo Padrão. A descoberta do Higgs coroa o maior feito intelectual da história da humanidade até agora, uma teoria que explica uma infinidade de fenômenos naturais. Mas, para o LHC, ela é apenas o começo.”

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Sergio Novaes (UNESP)
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