Começa conferência de físicos de língua portuguesa

Segunda edição do evento é realizada entre 10 e 12 de setembro no Rio de Janeiro, reunindo pesquisadores lusófonos de quatro continentes

Começa nesta segunda-feira, no CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), no Rio de Janeiro, a Segunda Conferência de Física da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, com a proposta de, ao mesmo tempo, apresentar resultados científicos de ponta e estreitar os laços de cooperação entre os físicos lusófonos.

O Rio de Janeiro foi escolhido para sediar o evento, entre outros motivos, pela celebração do Ano de Portugal no Brasil, que se iniciou no último dia 7, com o feriado nacional de Independência. A primeira edição havia ocorrido entre 12 e 16 de setembro de 2010, em Maputo, Moçambique.

A organização da conferência ficou sob responsabilidade da Sociedade Brasileira de Física. A coordenação do evento é de Ricardo Galvão, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. O comitê científico da conferência conta também com dois ex-ministros de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende (Brasil) e José Mariano Gago (Portugal).

Nano, fusão, Higgs

A nanotecnologia terá um papel importante na programação. Logo nesta segunda-feira, às 10h50, Marcos Pimenta, do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais, apresenta um trabalho sobre a caracterização das propriedades de grafenos – estruturas compostas pelos átomos numa distribuição que lembra o arame da grade de um galinheiro – e dos famosos nanotubos de carbono – similares aos grafenos, mas com a "grade" de carbono em forma cilíndrica. Espera-se que ambos tenham papel preponderante no desenvolvimento de materiais e tecnologias em escala nanoscópica (milionésimos de milímetro).

No mesmo dia, portugueses também apresentam resultados interessantes na produção de nanomateriais. Daniela Nunes, do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear da Universidade Técnica de Lisboa, faz uma exposição do desenvolvimento e caracterização de compósitos nanoestruturados, dentre os quais alguns que poderiam servir como dissipadores de calor em reatores de fusão nuclear.

O assunto é, literalmente, quente. Reatores de fusão práticos – por ora um sonho distante – são cobiçados pelos físicos justamente porque permitiriam a produção de eletricidade de forma barata e limpa (usando o mesmo processo que gera energia no interior do Sol). O que nos leva ao segundo dia da conferência, onde Carlos Varandas, também do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear da Universidade Técnica de Lisboa, faz uma apresentação do ITER (International Tokamak Experimental Reactor), grande consórcio bilionário destinado à criação de um reator experimental de fusão.

Finalmente, até mesmo em razão das últimas descobertas, é claro que a CERN (Organização Europeia para Pesquisa Nuclear), lar do LHC (Large Hadron Collider, maior acelerador de partículas do mundo), não poderia ficar de fora da conferência.

Na quarta-feira, terceiro e último dia do evento, Sérgio Novaes, do Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista (UNESP), faz uma apresentação que incluirá os resultados mais recentes na análise do possível bóson de Higgs. Novaes é membro de uma das equipes responsáveis pelo achado.

Ensino e mesas redondas

Durante as tardes, a conferência ainda contará com apresentação de paineis e terá a realização de algumas mesas redondas, para discutir a educação e promoção da cultura científica em língua portuguesa (terça, 14h30), a pesquisa científica na comunidade de países de língua portuguesa (terça, 16h20) e a consolidação da Conferência de Física da CPLP (quarta, 16h20).

Para Ricardo Galvão, organizador do evento, a expectativa para os próximos dias é a melhor possível. Ele aposta que conferências como essa podem sedimentar parcerias entre os países do bloco. "Parcerias científicas são como um jogo de tênis. Os parceiros jogam melhor se falam a mesma língua e têm níveis técnicos não muito desiguais", diz. "Este é o objetivo da conferência, estabelecer um fórum para fomentar parcerias proveitosas entre cientistas que falam a mesma língua e têm necessidades e interesses profissionais complementares."

Os participantes são majoritariamente brasileiros e portugueses. Contudo, há mais seis países que compõem a CPLP: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

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