Brasileiros trabalham para tornar tecnologia nuclear mais segura

Melhorias na saúde, preservação do meio ambiente e produção de energia elétrica são os pontos positivos de uma área da Física que ainda provoca temor em boa parte da população

angra1Radiação e radioatividade tornaram-se palavras malignas em nossa sociedade. Analfabetismo científico, sensacionalismo em coberturas jornalísticas de acidentes nucleares, além de mutantes e outros exageros inventados pela ficção científica contribuíram para criar uma visão apocalíptica da Física Nuclear.

A energia nuclear é controversa desde o seu início. Chernobyl e Fukushima são exemplos de como a radioatividade pode ser perigosa. Até o Brasil, em proporções bem menores, já teve seu acidente nuclear. Foi em 1987, quando a curiosidade e ignorância de dois catadores de lixo expôs centenas de pessoas à radiação emitida por uma única cápsula que continha césio-137, encontrada numa máquina de radioterapia de um instituto médico desativado.

No entanto, se utilizada de forma controlada, segura e para fins pacíficos, a Física Nuclear torna-se benéfica e muito importante em nosso cotidiano.

Atualmente, 30% da energia consumida no estado do Rio de Janeiro é gerado pelas usinas nucleares Angra 1 e 2. Com a instalação de Angra 3, espera-se que esse valor alcance 60% do consumo. Comparada com outras usinas de energia térmica, o custo do combustível nuclear em relação à quantidade de energia gerada é quatro vezes mais barato que o carvão ou o gás. Outras vantagens é a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera e menor impacto ambiental, em comparação com as usinas hidrelétricas.

Em hospitais, os raios X, traçadores radioativos em diagnósticos e a radioterapia para a cura do câncer têm salvado vidas há décadas.

Já na área experimental, físicos brasileiros já dispõem de aceleradores de partículas em nosso território para estudos sobre a natureza do átomo. Com a presença de nosso país na IUPAP (International Union of Pure and Applied Physics), o Brasil passa a contribuir também internacionalmente para desmistificar e criar novas aplicações para a Física Nuclear. E principalmente, torná-la mais segura.

“Com a minha participação na IUPAP, posso defender a posição de nosso país, que mesmo não tendo grandes instalações, nem muitos recursos, possui material humano valioso", afirma Alinka Lepine-Szily, um dos membros da C12 (Comissão sobre Física Nuclear) da IUPAP.

Brasil na IUPAP

Alinka, eleita em 2011 por unanimidade, é a única representante da América Latina na C12. Além da visibilidade brasileira na comissão, ela também participa do grupo de trabalho da IUPAP chamado de WG9 (Working Group 9), desde 2005. O grupo tem a finalidade de debater as questões da Física Nuclear para as próximas décadas e fazer um levantamento das instalações experimentais existentes ao redor do mundo. Com esse estudo, busca-se projetar novos instrumentos para serem utilizados em trabalhos de cooperação internacional.

A brasileira defende que nossos físicos não podem transformar-se em fornecedores de mão de obra barata para as grandes colaborações internacionais. Segundo Alinka, devemos manter nossas instalações locais, como é o caso do acelerador de partículas Pelletron, e o RIBRAS, um equipamento único no Hemisfério Sul, utilizado para produzir feixes de íons. Ambos estão instalados no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, na capital paulista. Instrumentos como esses são essenciais para a formação dos futuros físicos nucleares, além de contribuir significativamente para o desenvolvimento da ciência, mesmo localmente, acredita.

Com o apoio da WG9, foi fundada em 2010 a ALAFNA - Associação Latina Americana de Física Nuclear e Aplicações, durante o Simpósio Latino Americano de Física Nuclear, em 2010, em Santiago de Chile.

A ALAFNA pretende contribuir para a educação da comunidade científica e do público em geral. Além disso, a associação pretende fortalecer vínculos entre as comunidades latinas americanas para realizarem pesquisa em física nuclear e suas aplicações em problemas mais urgentes nas áreas de saúde, meio ambiente e energia.

Alinka Lepine-Szily é um dos 11 brasileiros escolhidos como membros de comissões da IUPAP. Confira abaixo a lista completa dos eleitos, em Assembleia Geral realizada no ano passado.

Vanderlei Salvador Bagnato
C2 - Comissão sobre Símbolos, Unidades, Nomenclatura, Massas Atômicas e Constantes Fundamentais

Ronald Cintra Shellard
C4 - Comissão sobre Raios Cósmicos

Rita Maria Cunha de Almeida
C6 - Comissão sobre Física Biológica

Belita Koiller
C8 - Comissão sobre Semicondutores

Sergio Ferraz Novaes
C11 - Comissão sobre Partículas e Campos

Alinka Lepine-Szily
C12 - Comissão sobre Física Nuclear

Paulo Murilo de Castro Oliveira
C13 - Comissão sobre Desenvolvimento da Física

Roberto Nardi
C14 - Comissão sobre Educação na Física

Ricardo Magnus Osorio Galvão
C16 - Comissão sobre Física de Plasma

Sérgio Carlos Zilio
C17 - Comissão sobre Eletrônica Quântica

Ronald Dickman
C20 - Comissão sobre Física Computacional

 

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