SBF propõe criação de mestrado nacional para professores

Cursos já existentes poderiam se firmar como polos e usufruir dos benefícios do programa nacional, caso ele seja aprovado pela CAPES.

Um dos problemas mais evidentes do ensino brasileiro nos níveis fundamental e médio é a dificuldade com conceitos de ciências exatas, sobretudo física e matemática. Numa tentativa de contribuir com a solução do problema, a Sociedade Brasileira de Física está propondo à CAPES a criação de um mestrado profissional nacional para professores de física.

O projeto foi elaborado pela diretoria da SBF – que tem como secretária para Assuntos de Ensino Silvânia Sousa do Nascimento, da UFMG – em consulta com os grupos que já promovem seus próprios cursos de mestrado voltados para o ensino de física.

A ideia é que eles possam ser associados ao programa nacional como “polos”, de forma que sejam igualmente beneficiados pelas bolsas que serão concedidas pela CAPES, caso o projeto seja aprovado. A expectativa é de que os trabalhos possam começar já no segundo semestre desse ano, para que o primeiro ano letivo do mestrado nacional comece em março de 2013.

UNIÃO DE GRUPOS

“Reunimos a comunidade de ensino de física e os pesquisadores para fazer uma síntese do que deveria ser esse curso, para induzir a formação de professores capacitados em todo o Brasil”, diz Celso de Melo, presidente da SBF.

A base para a grade curricular é, inclusive, um mestrado voltado para professores que já existe, criado pelo físico Marco Antonio Moreira na UFRGS. Moreira é tido como o fundador da pesquisa em ensino de física no Brasil e um de seus maiores expoentes.

“Estamos elaborando um mestrado que eu diria que é conteudista”, diz Rita Maria Cunha de Almeida, tesoureira da SBF e física da UFRGS. “Grande parte da carga horária é voltada para conteúdo de física, aplicações em sala de aula, como fazer uso das novas tecnologias, como fazer experimentos.”

A proposta tentou conciliar ao máximo as diferentes grades de mestrado já existentes, sem desvirtuar-se de sua proposta original, de forma que esses cursos possam ser absorvidos como pólos e usufruam dos benefícios de fazer parte do programa nacional. E esses grupos também terão voz na comissão de pós-graduação do programa da SBF.

Mas nada impede que eles continuem independentes, se assim o desejarem. “Queremos criar um ambiente mais uniforme, que permita a formação de professores de maneira consistente no Brasil inteiro. Agora, quem já tem o seu programa de pós-graduação local consolidado e não quiser se conformar à proposta, poderá seguir seu rumo sem nenhum problema”, diz Celso de Melo.

Com o mestrado nacional, a SBF espera dar uma contribuição importante para a melhoria do ensino de física no Brasil. Mas sabe que isso está longe de dar encaminhamento final à questão. O esforço precisa vir acompanhado da elaboração de planos de carreira para os professores do ensino público.

“Acreditamos que a única maneira de viabilizar isso é promovendo uma articulação entre o governo federal e os estados e municípios, com repasse de verbas que permita o pagamento digno aos professores, além de assegurar uma evolução para suas carreiras”, diz o presidente da SBF.

Essa é uma das razões pelas quais a comunidade científica luta pela inclusão em lei do repasse dos recursos provenientes dos royalties do petróleo para o setor de educação – seria uma maneira de financiar a criação desse plano de carreira e encorajar a qualificação dos professores do ensino fundamental e médio.

CONTATOS
Assessoria de comunicação da SBF
Salvador Nogueira
Tel:  +55 11 9178-9661
E-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
Twitter: http://twitter.com/sbfisica
Facebook: http://www.facebook.com/sbfisica

PION

Portal SBF de
Divulgação da Física