Nova fase dá vida ao Brazilian Journal of Physics

Tradicional publicação da SBF começa a colher os frutos da parceria com a conceituada editora Springer, mas ainda há muito trabalho a ser feito

O Brazilian Journal of Physics entrou em uma nova fase em abril do ano passado, quando a Sociedade Brasileira de Física forjou uma parceria com a editora Springer, tradicional publisher de periódicos científicos internacionais. E os frutos já começam a ser colhidos, embora ainda haja ambições de longo prazo a serem alcançadas.

"Além da conveniência operacional, a parceria oferece algumas vantagens", diz Luiz Nunes de Oliveira, pesquisador do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo e editor do BJP. "Divulgação da revista. Portal mais atraente e informativo. Inserção do BJP em pacotes vendidos a grande número de bibliotecas. Tudo isso resulta em maior projeção."

O esforço ajuda a dar renovada importância à tradicional revista brasileira, mas ainda falta para que a comunidade nacional atente para as oportunidades que a publicação oferece. Entre os artigos submetidos desde o início dessa nova fase, apenas 1 em cada 7, aproximadamente, é proveniente do Brasil. Quando se passa aos aceitos, vê-se um nivelamento maior -- praticamente meio a meio, entre nacionais e estrangeiros. "Como se percebe, a qualidade dos trabalhos provindos do Brasil é, em média, muito superior à dos submetidos no exterior."

Oliveira diz que não é o caso de autores brasileiros deixarem de publicar em revistas de alto impacto para privilegiar o BJP. Mas é possível conciliar as duas coisas. "Um exemplo que mostra como, mesmo no estágio em que está, a revista pode ajudar a divulgar o trabalho de brasileiros é o artigo 'Quantum Metrology for Noisy Systems', B. M. Escher, R. L. de Matos Filho e L. Davidovich, Braz. J. Phys. 41, 229-247 (2011)", diz o editor. "Este se baseia em um trabalho publicado pelos mesmos autores no Nature Physics [7, 406 (2011)]. Enquanto a versão no Nat. Phys. é sucinta e dirigida para especialistas, a do Braz. J. Phys. faz uma revisão dos conceitos básicos, discute mais detalhadamente o desenvolvimento e apresenta resultados complementares. É um dos trabalhos mais baixados do site da Springer."

Confira a entrevista completa com Oliveira abaixo.

SBF - O que mudou, em termos editoriais, com a parceria com a Springer?

Luiz Nunes de Oliveira - Essa questão tem três componentes: um componente estratégico, um tático e um operacional. No plano estratégico, foi definido o modelo para a revista que gostaríamos de ter, em prazo longo. A partir dele, uma política editorial (descrita no endereço http://www.sbfisica.org.br/bjp/instruc.htm) com quatro categorias de artigos: duas tradicionais (i) pesquisa original e (ii) artigos de revisão e duas novas (iii) key issues (revisões prospectivas) e news and views (comentários sobre a relação entre ciência e sociedade).

No componente tático, estamos convidando autores competentes para artigos de revisão, key issues, e news and views. Autores de bons trabalhos publicados em formato resumido são convidados para escrever versões estendidas, com ênfase nos aspectos físicos. Conteúdo físico e apresentação de artigos descrevendo pesquisa original são verificados pelos editores; somente artigos alinhados com política editorial acabam enviados para revisores.

No plano operacional, a Springer mantém portal para comunicação entre as três comunidades envolvidas no trabalho editorial (autores em potencial, revisores e editores). O portal é muito superior ao software caseiro que a Sociedade mantinha antes do início da parceria com a editora. Permite que os autores acompanhem o processamento de seus trabalhos, facilita a comunicação dos revisores e ajuda muito os editores.

SBF - A parceria com a nova editora deu um fôlego extra à publicação? Como ela ganha com isso?

Oliveira - Além da conveniência operacional, a parceria com a Springer oferece algumas vantagens: divulgação da revista e de bons trabalhos nela contidos, por meio de serviço de alerta, palestras e atividades de marketing. Portal (http://www.springer.com/bjp) mais atraente e informativo. Inserção do BJP em pacotes vendidos a grande número de bibliotecas. Tudo isso resulta em maior projeção.

SBF - Há uma grande discussão acadêmica sobre a importância de termos um Brazilian Journal of Physics. Há quem defenda que ele é desnecessário e é pouco procurado até pelos cientistas locais. Como você vê essa questão?

Oliveira - Questão capital. Não faz sentido manter uma revista desprestigiada pela comunidade nacional, e ninguém pode esperar que a parceria com a Springer por si só melhore o conceito que o periódico tem. Por isso, investimos em criar uma identidade para o BJP que a torne atraente para seu público, que é constituído de leitores, revisores e autores. Leva tempo, mas todos os editores -- Alberto Saa, Daniel Vanzella, Francisco Coutinho, Ricardo Galvão e eu -- trabalhamos com essa visão. Não queremos que os bons físicos brasileiros passem a enviar manuscritos para o BJP em lugar de publicar seus resultados mais importantes em revistas com grande visibilidade; queremos que eles aproveitem a oportunidade que a revista oferece para, de quando em quando, enviar trabalhos que se aprofundem na discussão da física de problemas importantes em suas áreas e que nossos melhores cientistas tenham orgulho de serem convidados para escrever para a revista.

SBF - Como anda a distribuição de artigos nacionais/estrangeiros no periódico?

Oliveira - Desde o início da parceria com a Springer (abril de 2011) até dezembro último, 36 artigos foram aceitos para publicação. Desses, 19 são de autores (correspondentes) brasileiros e 17 de estrangeiros. Já entre os autores de trabalhos submetidos no período, os brasileiros são bem minoritários: 54 contra 288 estrangeiros. Como se percebe, a qualidade dos trabalhos provindos do Brasil é, em média, muito superior à dos submetidos no exterior.

SBF - A existência do BJP ajuda a dar visibilidade à ciência nacional?

Oliveira - É evidente que uma revista conhecida internacionalmente por ter identidade e publicar bons trabalhos chamaria atenção para o trabalho dos físicos brasileiros. A contribuição do BJP para essa visibilidade é ainda pouco significativa, mas trabalhamos para ampliá-la. Um exemplo que mostra como, mesmo no estágio em que está, a revista pode ajudar a divulgar o trabalho de brasileiros é o artigo "Quantum Metrology for Noisy Systems", B. M. Escher, R. L. de Matos Filho e L. Davidovich, Braz. J. Phys. 41, 229-247 (2011). Este se baseia em um trabalho publicado pelos mesmos autores no Nature Physics [7, 406 (2011)]. Enquanto a versão no Nat. Phys. é sucinta e dirigida para especialistas, a do Braz. J. Phys. faz uma revisão dos conceitos básicos, discute mais detalhadamente o desenvolvimento e apresenta resultados complementares. É um dos trabalhos mais baixados do site da Springer. Como se trata de um dos resultados mais importantes que a física brasileira produziu nos últimos anos, a publicação no BJP valoriza a imagem que a comunidade internacional tem da pesquisa brasileira.

PION

Portal SBF de
Divulgação da Física