Workshops ajudam a aproximar física e indústria

Trabalho permitirá que tanto a comunidade científica como a indústria e os formuladores de políticas afinem-se em prol da inovação tecnológica

Há mais de uma década o governo federal tem batido insistentemente na tecla de que é preciso aproximar a produção acadêmica das aplicações, adotando o mantra da inovação tecnológica como síntese desse esforço. Contudo, a aproximação de duas culturas distintas – a da ciência e a da indústria – não acontece por mágica. Uma série de workshops organizados pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) em parceria com o CGEE (Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) colocou a mão na massa para contribuir na concepção de uma interface efetiva entre os dois segmentos.

Duas grandes reuniões, promovidas com apoio da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), foram realizadas entre o fim do ano passado e fevereiro deste ano com a participação de pesquisadores da comunidade de física, representantes do governo e grandes players corporativos. A meta era tentar diagnosticar os desafios e apontar soluções para melhor introduzir os físicos (e o potencial inovador que vem com eles) na indústria brasileira.

“O grande objetivo é e só pode ser o de fomentar o desenvolvimento nacional”, explica Celso de Melo, presidente da SBF. “Trata-se de uma preocupação de longa data da diretoria da Sociedade, que tem buscado fornecer os instrumentos para que as políticas públicas e ações da iniciativa privada possam trabalhar em concerto para pavimentar o futuro do país.”

Os dois workshops estão no contexto de uma estrutura mais ampla de trabalho e avaliação da SBF, que envolveu a elaboração de um livro com as perspectivas das comissões de área para os próximos cinco anos e o mapeamento da comunidade de físicos e de suas expectativas em torno de seu trabalho, inclusive no contato e na colaboração com a indústria.

Ao promover os dois encontros entre pesquisadores, governo e grandes empresas, ficou claro que ainda há muito trabalho pela frente para que os discursos de todos os agentes estejam afinados. Há, por exemplo, uma percepção, na iniciativa privada, de que os físicos têm dificuldades para lidar com o ambiente corporativo e sua lógica própria de funcionamento. E não é simplesmente uma questão de colocar o problema nos métodos da indústria.

Durante muito tempo a comunidade científica simplesmente esperou que as empresas passassem a se interessar por pesquisa e desenvolvimento (P&D). “Era como se os físicos fossem os heróis e salvadores da pátria e a indústria que teria ficado devendo o dever de casa”, afirma Eduardo do Couto e Silva, físico do CGEE e coordenador dos workshops.

“Não é bem assim. É uma questão de necessidade do país o fomento da ciência e tecnologia aliado ao aumento de competitividade das empresas. Todos que podem contribuir diretamente, como é o caso da física, deveriam fazê-lo pelo interesse de ter um país melhor. Não é simplesmente olhar para a indústria, mas importante também é a física perceber que pode ter um impacto na vida dos brasileiros.”

Uma das percepções mais claras do trabalho até o momento é a de que a formação dos físicos nas universidades pode ser aperfeiçoada, não só dando um suporte maior no sentido de compreender as nuances da atuação dentro da indústria como demonstrando esta ser uma via de carreira tão importante quanto a tradicional, cultivada no seio da academia. Para que se tenha uma ideia da atual preferência dos físicos, apenas 2% dos cerca de 3.000 doutores que o Brasil tinha até 2007 eram empregados pela indústria.

Essa e outras conclusões devem ser esmiuçadas num relatório em vias de ser concluído e divulgado pela SBF em parceria com o CGEE. Uma coisa, no entanto, já é certa: a participação da comunidade científica nas empresas precisa aumentar, se o setor produtivo brasileiro tem a ambição de se manter competitivo no contexto internacional.

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