Prêmio Nobel em Física motiva alunos do ensino médio em SP


William Philips, americano agraciado com a premiação em 1997, deu palestra em clima de “show de mágica” para encantar jovens com a ciência

nobelO americano William Phillips, vencedor do Nobel em Física de 1997, empolgou centenas de adolescentes com sua palestra “Einstein, o tempo e a tremenda fria que valeu o Nobel” na terça-feira passada (22).


O cientista não economizou nitrogênio líquido na apresentação. Cada objeto congelado ou foco de fumaça no palco era recebido com gritos de espanto e aplausos pelo auditório lotado do Colégio Etapa, em São Paulo.

Foto: Renato Ramalho

O clima de “show de mágica” da palestra tem uma explicação, conforme o próprio Phillips: atrair os jovens para a ciência, mostrando que a física, além de divertida, está inserida na vida cotidiana.

“Os jovens têm uma tremenda curiosidade. E ser cientista é ser curioso. Basicamente, o cientista é uma criança que nunca cresceu”, disse Phillips.

Ex-treinador da seleção olímpica de física dos Estados Unidos, o pesquisador levou o Nobel — juntamente com Steven Chu e Claude Cohen-Tannoudji— pela criação de armadilhas de átomos.

A aparentemente difícil tarefa de explicar para a garotada como essa junção de raios laser e campos magnéticos funcionava foi resolvida pelo professor usando muitos exemplos da “vida real” dos estudantes.

Graças aos estudos de Phillips e dos outros vencedores, foi possível diminuir a velocidade de átomos até poucos centímetros por segundo, permitindo a construção de relógios atômicos bem mais precisos.

Enquanto um relógio de pulso de quartzo com boa qualidade atrasa em média 30 segundos por ano, essa distorção, nos relógios quânticos, mal chega a um segundo em 1 milhão de anos. “Ninguém necessita de tanta precisão para saber a hora de jantar”, brincou o cientista. “Mas, com o uso desses relógios, foi possível desenvolver o sistema de GPS, entre outras coisas.”

Phillips também respondeu a questões da plateia. Curiosos, os estudantes o perguntaram sobre seus experimentos e até sobre a gravata com uma cena do filme “Guerra nas Estrelas” que ele vestia.

Fã de ciências, a aluna do terceiro ano Ana Lucia Cox, 17, comemorou a visita. A jovem, que participa de olimpíadas de física, matemática e linguística, aproveitou para pedir um autógrafo e uma foto com Phillips. “Ter contato com alguém como ele é muito bom. Quero seguir na área de física ou de engenharia, e ele é um grande exemplo”, disse.

Mateus Silva, 15, que também quer seguir carreira científica, elogiou o tom informal da palestra. “Deu para aprender e se divertir ao mesmo tempo”, afirmou.

Confira abaixo a entrevista que Philips concedeu à SBF.

O senhor treinou os jovens da seleção olímpica de física dos EUA durante muito tempo e, não raro, está cercado de estudantes. Qual a importância desse contato?

Os jovens não são apenas o futuro da ciência. Eles são o futuro de toda a nossa sociedade. Eles são os cidadãos que irão fazer a diferença amanhã. Por isso, é muito bom ter a oportunidade de poder conversar com eles. Só de pensar que é possível motivá-los de alguma maneira já é muito recompensador. Eu não treino mais a seleção olímpica de física, mas, sempre eu que tenho um tempo, procuro fazer uma visita e conversar com os garotos de lá. Tento mostrar que as coisas na física não são só trabalho duro, elas podem ser divertidas também.

Que conselho o senhor daria para quem está indeciso em seguir a carreira de ciência?

Eu não vou mentir. Ser cientista não dá muito dinheiro. Se você quiser ficar rico, vá trabalhar na área de negócios ou de direito. Por outro lado, dá um prazer imenso para quem é curioso e se interessa por saber como as coisas funcionam. E, para quem tem esse espírito curioso e descobridor, não há coisa mais recompensadora.

Ganhar o Nobel tornou mais fácil conseguir financiamento ou ter seu trabalho publicado?

Não ficou mais fácil publicar um artigo ou conseguir verba para pesquisas. O que mudou, certamente, foi a quantidade de convites que eu recebo para falar para grandes plateias. Isso aumentou bastante! Estou sempre sendo convidado a dividir minhas experiências sobre física e pesquisa para muita gente. Ou seja, ficou mais fácil atingir um público amplo e, assim, motivar mais pessoas sobre a ciência. Isso, por si só, já é algo bastante positivo.

O senhor conhece algum trabalho da ciência brasileira? Qual a opinião do senhor sobre ela?

Esta não é a minha primeira vez o Brasil. Já estive aqui outras vezes, mas eu realmente não conheço muito da ciência que é produzida no Brasil. No entanto, eu tive contato com a pesquisa do professor Vanderlei [Bagnato, pesquisador da USP de São Carlos], que é um trabalho realmente de ponta. A pesquisa sobre o fenômeno conhecido como turbulência quântica é muito boa.

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