Morre Susana de Souza Barros, pioneira da educação de física

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Primeira secretária para assuntos de ensino da Sociedade Brasileira de Física, Susana impulsionou a área de pesquisa sobre ensino de ciências durante três décadas.


Faleceu na manhã desta segunda-feira, 24 de outubro, no Rio de Janeiro, a professora Susana Lehrer de Souza Barros. Ela tinha 82 anos e se mantinha na ativa, embora já estivesse aposentada pela UFRJ desde 2000. Susana teve um papel fundamental na evolução das pesquisas sobre o ensino de física no Brasil.

Uma das pioneiras da área no país, foi a primeira secretária para assuntos de ensino da Sociedade Brasileira de Física (SBF), por meio da qual promoveu Simpósios de Ensino de Física e Encontros de Pesquisa em Ensino de Física.

"Sempre crítica e construtiva em suas observações, nunca perdeu a curiosidade e o encanto com conhecimento, nem a determinação e o empenho na luta por uma educação de qualidade", afirma Isabel Martins, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências, em nota. "Susana foi um exemplo de tenacidade, integridade e generosidade em sua vida pessoal e profissional, tendo criado oportunidades de crescimento intelectual aos seus inúmeros estudantes com quem manteve uma relação de carinho e amizade."


Com ampla formação e experiência internacional, a pesquisadora se formou em física pela Universidad de Buenos Aires, em 1952, e fez sua pós-graduação na Manchester University, no Reino Unido, em 1960. O pós-doutorado foi realizado no Carnegie Institute of Technology, nos Estados Unidos. No Brasil, foi professora da UnB, da PUC-Rio e, desde 1976, do Instituto de Física da UFRJ.

Seus primeiros trabalhos na instituição com quem manteve maior vínculo foram numa nova linha de pesquisa sobre magnetismo em oxalatos, tema que ela havia começado a investigar na Carnegie Mellon University. Manteve-se nessa área, no Laboratório de Baixas Temperaturas (LBT), até 1982, quando decidiu se dedicar por inteiro à pesquisa em ensino de física.

Ao longo de sua carreira, estabeleceu uma cruzada na busca de melhoria da qualidade da educação no país, enfatizando que a introdução de novas tecnologias em sala de aula pouco resultaria se não viesse acompanhada de um aprimoramento dos próprios professores, que até hoje muitas vezes se mostram despreparados para lecionar conteúdos de ciência.

Autora de diversos trabalhos acadêmicos direcionados a essa questão, recebeu o reconhecimento da comunidade e foi laureada com diversas distinções e prêmios nacionais e internacionais.

Susana gozava de boa saúde e morreu repentinamente, para o pesar de todos os que a conheciam. Deixou seu marido, Fernando de Souza Barros (ex-presidente da SBF, entre 1981 e 1983), um filho e duas netas.

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