Professores blogueiros descrevem viagem ao CERN

Docentes criam blogs para contar a seus alunos suas experiências no maior laboratório do mundo em pesquisas voltadas para a física de partículas

CERN-2011Durante a Escola de Professores do CERN de 2011, alunos e interessados puderam se beneficiar dos resultados em tempo real. Como complemento paradidático, alguns dos docentes participantes do programa fizeram uso de blogs na internet para relatar a seus alunos as experiências vividas durante a visita a Genebra, na fronteira franco-suíça, entre os dias 4 e 9 de setembro de 2011.

Os blogs mostravam de forma didática e bem-humorada a aventura dos professores nas dependências do LHC (Large Hadron Collider), atualmente o maior acelerador de partículas do mundo em funcionamento. Os professores ficaram surpreendidos pelo interesse e pelas dúvidas dos alunos sobre a viagem.

Com o LHC sendo notícia constantemente na imprensa, é comum o questionamento dos jovens sobre a natureza das partículas, como elas são aceleradas, o que existe no interior dos túneis do experimento ou mesmo se ele teria o poder de criar um buraco negro e destruir nosso planeta. Dessa forma, aproveitando-se da oportunidade única de conhecerem pessoalmente o CERN, e aliados ao domínio dos alunos frente às mídias digitais, os professores puderam criar uma forma de comunicação interativa através de blogs. Um meio de despertar o interesse dos alunos pela física de partículas, dentro e fora da sala de aula.

É o caso dos blogs “Carlos no CERN”, do professor Carlos Eduardo Mendes, de Belo Horizonte (MG), e o “Beleza na Física”, da professora Maria Clara Santarelli, de Vinhedo (SP).

Durante a viagem e quase diariamente, ambos publicaram detalhes sobre o desenrolar das atividades ao longo da semana no CERN, como o que estavam aprendendo nas palestras, os bastidores da organização dos laboratórios e até mesmo as curiosidades, detalhes que não seriam revelados numa visita normal.

Criado antes da viagem ao CERN, o blog “Beleza na Física”, da professora Maria Clara, descreve não apenas o que presenciou no LCH, mas também tem publicado conteúdo sobre física de partículas, explicando de forma didática aos alunos o que são as partículas elementares, os processos de detecção e as suas aplicações. Ela tem divulgando o blog para posteriormente utilizá-lo como suporte nas atividades em sala de aula.

A página está repleta de conteúdo multimídia como fotos, infográficos e vídeos, o que acaba complementando o ensino tradicional da física em sala de aula. Exploração multimidiática que os alunos adoram, salienta a professora.

Para o professor Carlos, como ele não teve tempo de explicar aos alunos sobre a viagem que iria ocorrer, a motivação de criar o “Carlos no CERN” foi para deixá-los informados de que algo interessante e especial estava ocorrendo na vida dele, e que por isso esperava compartilhar essa experiência. A viagem ao CERN marcou o professor tanto profissionalmente quanto emocionalmente e, para que os alunos tivessem a mesma vivência, ele postou fotos pessoais da viagem, lançou perguntas e desafios, respondeu a dúvidas comentadas e, na volta, ainda trouxe brindes para presenteá-los. O professor Carlos também tem postado conteúdo didático sobre física moderna para que seus alunos utilizem durante as aulas.

Ambas as iniciativas são exemplos de como se pode inovar no ensino de física nas escolas, aliando-se ao ambiente revolucionário das mídias sociais na internet. Uma forma de ensino complementar que ajuda a semear os físicos de amanhã.

Física de partículas em sala de aula

Para Maria Clara Santarelli, quando se leciona apenas a física clássica aos alunos, eles podem ter a noção que tudo na física é estabelecido, abstrato ou mesmo inerte. Mas a partir do momento que são apresentadas as grandes questões atuais da física e as pesquisas que são realizadas em centros importantes, como é o caso do CERN, é possível empolgá-los para uma carreira na ciência, mostrando que a física ainda está sendo feita e que ele também pode contribuir nas grandes investigações sobre a natureza.

E, de fato, não são necessários grandes investimentos para se falar de física de partículas em sala de aula. Um dos experimentos práticos realizado pelos professores no CERN foi a chamada “câmara de nuvens”, também conhecida como “câmara de Wilson”. Esse experimento consiste num recipiente transparente contendo álcool isopropílico resfriado, que permite apresentar visualmente a passagem de raios cósmicos no seu interior. É uma experiência simples e barata e que pode ser reproduzida em qualquer sala de aula.

Alguns professores já tiveram a oportunidade de reproduzir tal experimento e testemunham que os alunos ficam maravilhados ao saber que somos bombardeados constantemente por raios cósmicos.

Educação no CERN

A Escola de Professores no CERN é um programa educacional desenvolvido pelo CERN, destinado aos professores de vários países. O ano de 2011 foi o terceiro consecutivo em que o Brasil participa do programa, enviando professores de física do ensino médio das redes municipal, estadual, federal e particular de vários estados, para que tenham a oportunidade de aprender in loco sobre física de partículas nas dependências do maior acelerador de partículas em funcionamento no mundo, o famoso LHC.

A participação brasileira tem a coordenação da Sociedade Brasileira de Física (SBF), e a delegação de 20 professores enviados ao CERN em 2011 foi chefiada por Nilson Garcia, ex-secretário para assuntos de ensino da Sociedade. “Os professores brasileiros têm estado muito entusiasmados e empolgados com a possibilidade de participar do programa”, diz. O financiamento é feito pelo CAPES Educação Básica e tem apoio do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

CONTATOS
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Comunicação Social da SBF
Salvador Nogueira
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