Revistas estrangeiras destacam física nacional

Avanços recentes no Brasil começam a ser notados no exterior, como demonstram reportagens publicadas na “Photonics Spectra” e na “Physics Today”

PhysicsTodayOs progressos do Brasil nos segmentos da educação e da ciência com impactos importantes no desenvolvimento da física nacional, começam a ser notados lá fora. É o que mostram duas reportagens publicadas recentemente em revistas especializadas, a "Photonics Spectra" e a "Physics Today".

A primeira, em sua edição de julho, relata as dificuldades que o país teve para fazer deslanchar sua produção científica, desde seu primeiro gargalo, no ensino fundamental. O texto destaca que, até o início do século 21, apenas metade das crianças brasileiras terminava a escola primária e três quartos dos adultos eram analfabetos funcionais. Contudo, de lá para cá as coisas melhoraram bastante, com índices crescentes na educação e aumento da comunidade e da produção científicas.

"O Brasil é um recém-chegado em ciência e tecnologia porque o país só acordou para essa área nos últimos 40 anos", disse Sergio Rezende, pesquisador da UFPE e ex-ministro da Ciência e Tecnologia. "Até os anos 1960, nossa comunidade científica era muito pequena: não havia posições em período integral nas universidades, nem programas de pós-graduação."

Em contrapartida, no ano passado, de acordo com Rezende, o país formou 14.000 doutores (PhD) e terminou o ano com 150 mil pesquisadores, nos mais variados campos.

Falando especificamente da especialidade da publicação -- a área de fotônica -- a reportagem destaca a existência de cerca de 50 grupos de pesquisa nesse segmento, além de três institutos nacionais de óptica, em São Carlos, Rio de Janeiro e Recife.

Os trabalhos já têm rendido também inovação tecnológica, como atestam o surgimento de empresas derivadas dos grupos de pesquisa, como a Opto Eletrônica, uma produtora de instrumentos médicos de São Carlos, e a AsGa, uma empresa de comunicação óptica de Campinas. Ambas contribuem com elementos para satélites brasileiros de sensoriamento remoto.

A revista também apresenta as metas do país para 2022: crescimento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para 2% do PIB, aumentar o número anual de pedidos de patente de 400 para 4.000 e aumentar a parcela de engenheiros de 5% de todos os formados para 15%. Quanto aos pesquisadores, a ideia é ter uma comunidade de 450.000, cerca de 2 para cada 1.000 habitantes -- a média dos países desenvolvidos.

Instalações

Já a revista "Physics Today", em sua edição de setembro, também destaca o crescimento da produção científica brasileira e aponta os grandes passos que o país tem dado para incrementar seu acesso a equipamentos de última geração. Em destaque aparecem a atualização do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), orçada em R$ 500 milhões, e a iminente entrada do país no CERN (laboratório europeu de física de partículas e no ESO (Observatório Europeu do Sul).

"Temos uma pegada científica de larga escala", disse Celso de Melo, presidente da Sociedade Brasileira de Física, destacando o crescimento da produção científica brasileira de menos de 1% do total mundial de artigos publicados, uma década atrás, para 2,7% em 2010. "Estamos na 13a posição em número absoluto de publicações."

Melo destaca que os números do ensino fundamental são animadores e prometem um futuro ainda melhor para a ciência brasileira. "O problema mais grave que enfrentamos como nação é a desigualdade social", diz. "Contudo, hoje vemos que 97% das crianças entre 7 e 14 anos vão à escola. É a primeira vez na história brasileira que atingimos a cobertura completa do ensino básico."

O texto relata os contingenciamentos recentes impostos pelo governo à pasta de Ciência e Tecnologia, que devem cortar em 9% os investimentos previstos, e também aborda o plano do MCT de focar ainda mais a dotação orçamentária no estímulo à inovação tecnológica.

"A inovação será muito mais importante do que era antes", diz Ronaldo Mota, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCT. "O novo plano será muito mais associado à competitividade internacional e em como estabelecer pontes para conectar nossos setores de ciência e tecnologia com os empreendimentos e as demandas sociais. E a física, assim como a engenharia, são atores muito especiais para o presente e futuro do Brasil."

Links para os artigos originais (em inglês):

“Photonics Spectra” http://www.photonics.com/Article.aspx?AID=47589
“Physics Today” http://www.physicstoday.org/resource/1/phtoad/v64/i9/p26_s1?bypassSSO=1


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