Amélia Império Hamburger

O corpo será velado hoje, a partir das 16 horas, no Centro Maria Antônia, em São Paulo, e será enterrado amanhã (2/4), às 11 horas, no Cemitério do Morumbi.

Após um período longo de luta contra a doença, faleceu hoje de manhã a nossa colega Amélia Império Hamburger, professora da Universidade de São Paulo durante mais de quarenta anos, com trabalhos em diversas áreas da física e incursões importantes pela epistemologia e história das ciências. Amélia era uma colega de interesses amplos, espírito crítico, e muita generosidade, com influência marcante sobre todo o seu ambiente de trabalho. Amélia foi herdeira direta do período glorioso da construção da física contemporânea na antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP.

Em meados da década de sessenta, Amélia teve um papel essencial na fundação da Sociedade Brasileira de Física: redigiu os estatutos da nova sociedade, foi membro da Diretoria e do Conselho diversas vezes. No início da sua carreira, Amélia trabalhou em física nuclear experimental, no antigo acelerador Van der Graaf e nos laboratórios da Universidade de Pittsburgh. Um dos artigos dessa época, produto da sua dissertação de mestrado, acabou sendo publicado no primeiro número de Physical Review Letters. Mais tarde Amélia voltou a Pittsburgh, trabalhando dessa vez na investigação de propriedades de cristais magnéticos a baixas temperaturas. Amélia era particularmente preocupada com o reforço das nossas instituições acadêmicas e políticas, e com todas as questões referentes ao ensino. O seu trabalho em epistemologia e história da ciência foi motivado por interesses no ensino de física e na preservação da memória da ciência no país. Amélia publicou artigos e orientou diversas dissertações sobre questões epistemológicas, principalmente sobre tópicos de mecânica clássica e termodinâmica, que certamente mereceriam maior atenção. Amélia participou de projeto importante de recuperação da história da física contemporânea em São Paulo, com vários subprodutos, inclusive um texto recente, em magnífica edição da EDUSP, contemplado com o prêmio Jabuti, contendo a primeira parte de um projeto de edição das obras científicas do professor Schenberg. Textos dessa natureza são um trabalho pioneiro, de grande significado para o estabelecimento de uma cultura científica no país.

Silvio R. A. Salinas
Vera B. Henriques
Instituto de Física da USP

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