Jayme Tiomno morre aos 90 anos

Físico foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e um dos responsáveis pela criação da Sociedade Brasileira de Física (SBF)

tiomnoO físico teórico e experimental Jayme Tiomno, um dos maiores cientistas brasileiros dos últimos 50 anos, teve morte natural na madrugada desta quarta-feira (12/1), aos 90 anos de idade, em sua residência no Rio de Janeiro. O corpo será velado nesta quinta-feira (13/1) no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e cremado no dia seguinte, em cerimônia privada. Tiomno era casado com a também física Elisa Frota Pessoa.

Sua contribuição foi decisiva para o estudo das partículas elementares: entender como essas partículas interagem é essencial porque elas mantêm o átomo estável ou podem, por outro lado, torná-lo instável. Tiomno foi contemporâneo da geração de renomados físicos brasileiros como César Lattes, José Leite Lopes, Oscar Sala, Mário Schenberg e Marcelo Damy, além de ter convivido com os mais experientes físicos estrangeiros de seu tempo.

“Ele deixou o exemplo imperecível de uma vida inteira dedicada ao conhecimento científico para o bem da espécie humana. É um dos nossos maiores orgulhos e uma fonte de inspiração permanente para todos os pesquisadores brasileiros, sobretudo para as novas gerações”, disse em nota o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. “O avanço da ciência no Brasil hoje tem raízes profundas no trabalho incansável e genial de cientistas como Jayme Tiomno”, complementou.

O físico também teve bons contatos acadêmicos com Eugene Paul Wigner, cientista húngaro com quem pesquisou a questão da simetria nas partículas subatômicas e que, em 1963, ganhou o Prêmio Nobel pelas descobertas sobre neutrinos. Em 1966, Tiomno foi um dos responsáveis pela criação da Sociedade Brasileira de Física (SBF).

“Tiomno é um dos grandes ícones da física brasileira, foi um dos fundadores do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e faz parte da geração de cientistas responsáveis pelas principais descobertas da área em todo o mundo”, aponta Ronald Shellard, diretor do CBPF e vice-presidente da SBF.

Nascido em 16 de abril de 1920 no Rio de Janeiro e criado em Muzambinho (MG), Tiomno é descendente de judeus russos que emigraram para o Brasil no início do Século 20. Depois de terminar o ensino básico, começou a estudar medicina, mas logo mudou para a Faculdade Nacional de Filosofia onde se formou em Física. Cursou pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP), em 1945, com o professor Mário Schenberg.

Em 1948 foi para a Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, onde conviveu com os maiores físicos do seu tempo, como John Archibald Wheeler, até voltar ao Brasil em 1950. Fundou o CBPF junto com Cesar Lattes e José Leite Lopes, onde foi professor titular.

Um dos períodos mais produtivos de Tiomno foi a década de 1950, quando publicou mais de 20 trabalhos, sobretudo na área da física de partículas. Em uma conferência nos Estados Unidos, em 1960, previu a existência de ressonância nos mésons (partículas das interações fortes, que asseguram a estabilidade do núcleo do átomo), mais tarde comprovada experimentalmente.

Em 1965, a convite de Darcy Ribeiro, assumiu uma cadeira na recém-fundada Universidade de Brasília, onde chegou a propor um ensino menos preso à memorização e mais voltado à observação e à solução gradual de problemas concretos.

Em 1968, teve problemas com o regime militar e integrou uma lista ao lado de Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso como um simpatizante da esquerda. No ano seguinte, com a promulgação do AI-5, foi afastado de seus cargos no Brasil e decidiu ir novamente para Princeton, onde voltou a trabalhar com gravitação e eletromagnetismo.

Em 1973, conseguiu voltar para o Rio de Janeiro para lecionar na Pontifícia Universidade Católica (PUC), tendo depois se reintegrado ao CBPF, por onde se aposentou e se tornou Pesquisador Emérito. Jayme Tiomno era membro da Academia Brasileira de Ciências e havia recebido a Ordem Brasileira do Mérito Científico.

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