Escola de Professores no CERN em Língua Portuguesa

Marcos André Betemps Vaz da Silva
Nilson Marcos Dias Garcia 

A Escola de Professores no CERN (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares) em Língua Portuguesa é um evento que tem ocorrido por iniciativa do Setor de Educação1 do CERN e até este ano foi sempre dirigida a professores portugueses.
Entretanto, resultado de negociações iniciadas em maio de 2009 por parte de pesquisadores brasileiros do CBPF e de integrantes da diretoria da Sociedade Brasileira de Física, foi aberta, como ampliação da cooperação com Portugal, estabelecida com o LIP (Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas)3 a possibilidade de participação de professores brasileiros e moçambicanos no programa deste ano, que aconteceu no período de 30 de agosto a 4 de setembro de 2009.

A Escola, realizada nas dependências do CERN em Genebra na Suíça, aborda assuntos de Física de Partículas com a intenção de que sejam tratados com os alunos no ensino médio, tendo portanto, como objetivo principal, capacitar professores para que os mesmos introduzam tópicos de Física de partículas elementares, considerados altamente complexos, em níveis acessíveis aos alunos.

A Escola contou com a participação de 45 professores portugueses, 12 professores brasileiros e 5 professores moçambicanos e se desenvolveu através de palestras proferidas por pesquisadores brasileiros e portugueses que estão ligados a algum experimento no CERN. Também foram realizadas várias visitas ao complexo experimental do CERN através da qual os professores puderam ter a oportunidade de avaliar a magnitude dos experimentos em desenvolvimento.

O CERN abriga diversos experimentos que buscam entender os constituintes fundamentais da matéria através da colisão de feixes de próton que adquirem 99,999% da velocidade da luz, ou seja, energias extremas. Na figura acima temos um esquema onde apresentamos a dimensão do anel acelerador por onde circulam os feixes de prótons. O círculo formado pelos tubos tem 27 km de comprimento e está situado a 100 m abaixo da Terra. Durante o trajeto dos feixes eles são acelerados e existem 4 experimentos dedicados a analisar o resultado da colisão destes feixes. Os maiores experimentos que se utilizam dos feixes altamente energéticos de prótons ao redor do anel acelerador são: LHCb (Large Hadron Collider beauty), ATLAS (A Toroidal LHC ApparatuS), ALICE (A Large Ion Collider Experiment), CMS (Compact Muon Solenoid). Durante o curso tivemos a oportunidade de visitar os experimentos LHCb, ATLAS e CMS e de descer aos detectores de LHCb e CMS, uma vez que apenas em novembro de 2009 o feixe de próton recomeçará a circular no LHC. Considerando que iniciado este processo não será mais possível descer aos locais dos experimentos, a oportunidade que os professores brasileiros tiveram foi única, no sentido que nas próximas edições da escola não se terá a oportunidade de estar ao lado dos detectores verificando a magnitude e complexidade dos mesmos.

A Escola foi realizada na cidade de Genebra – Suíça entre os dias 30 de agosto e 04 de outubro de 2009, e contou com atividades desde a manhã até à noite em quase todos os dias. As visitas realizadas aos experimentos e o contato com outros professores de Física do Brasil e de diferentes países foram extremamente úteis para a troca de experiências e aquisição de novos conhecimentos que serão de extrema importância para serem transmitidos aos alunos do ensino médio e superior, bem como a todos os professores das respectivas regiões de atuação de cada professor participante do evento.

Dado o curto intervalo de tempo entre a decisão de viabilidade de participação do grupo brasileiro no Programa deste ano e o seu início, e a complexidade que seria elaborar um processo mais amplo de seleção de potenciais participantes, os professores brasileiros de Física foram selecionados dentre os que trabalham na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica.
Os recursos financeiros para a realização da atividade foram obtidos junto ao Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia. A atividade também contou com a intensa colaboração do CBPF, tanto em aspectos financeiros quanto logísticos e da Sociedade Brasileira de Física, que, junto com o CBPF coordenou os esforços para se concretizar a Escola no CERN e garantiu a participação do prof. Nilson Garcia, Secretário para Assuntos de Ensino, como coordenador das atividades do grupo brasileiro.

Os professores brasileiros participantes foram,
da esquerda para a direita:

- Nilson Marcos Dias Garcia
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Curitiba – PR
Secretário para Assuntos de Ensino da SBF.

- Marcos André Betemps Vaz da Silva
Universidade Federal de Pelotas - Conjunto Agrotécnico Visconde da Graça – RS;

- Ruberley Rodrigues de Sousa
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - Campus Jataí – GO;

- Marcelo Fernandes
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Toledo – PR;

- Cristóvão Renato Morais Rincoski
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Curitiba – PR;

- Daniel Guilherme Gomes Sasaki
Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro – RJ;

- Gilberto Morel de Paula e Souza
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - Natal – RN;

- Sidnei Percia da Penha
Colégio de Aplicação – Universidade Federal do Rio de Janeiro – RJ;

- Luzia Matos Mota
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - Salvador – BA;

- Marcus Vinicius da Silva Pereira
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro – RJ;

- Alfredo Mullen da Paz
Colégio de Aplicação – Universidade Federal de Santa Catarina – SC;

- Simone Souza Ramalho
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - Campus Inhumas – GO;

Nossa expectativa é que, dado o grande sucesso obtido, essa atividade continue a ser realizada nos próximos anos, possibilitando a outros professores brasileiros a oportunidade de participar deste projeto.

 

 

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