BOLETIM INFORMATIVO DA S.B.F - Nº 2 MAIO
1998
Editor
Eduardo Chaves Montenegro
Produção
Fernando Luiz C. S. Braga
Roberto C. Pereira
Sugestões deverão ser enviadas para:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE FÍSICA
Caixa Postal 66328
05315-970 - São Paulo - SP
Fone/Fax: (011) 816.4132
e-mail: sbfisica@sbf.if.usp.br
http://www.sbf.if.usp.br
FICHA CATALOGRÁFICA
BOLETIM INFORMATIVO DA
S.B.F - Nº 2 MAIO DE 1998 |
SOCIEDADE BRASILEIRA DE FÍSICA
| Diretoria (mandato 1997-1999) |
| Presidente |
| Humberto Siqueira Brandi |
| Instituto de Física - UFRJ |
| hsb@if.ufrj.br |
| Vice-Presidente |
| Carlos Henrique de Brito Cruz |
| Instituto de Física - UNICAMP |
| brito@ifi.unicamp.br |
| Secretário Geral |
| Adalberto Fazzio |
| Instituto de Física-USP |
| fazzio@macbeth.if.usp.br |
| Secretário |
| Eduardo Chaves Montenegro |
| Departamento de Física - PUC/RJ |
| ecmo@fis.puc-rio.br |
| Tesoureiro |
| Celso Pinto de Melo |
| Departamento de Física - UFPE |
| cpm@npd.ufpe.br |
| Secretário de Ensino |
| Eduardo Adolfo Terrazzan |
| Departamento de Metodologia de Ensino - CE-UFSM |
| eduterra@ce.ufsm.br |
Conselho (mandato 1995 - 1997)
Titulares
Fernando Claudio Zawislak
Instituto de Física-UFRGS
zawislak@if.ufrgs.br
Luis Carlos De Menezes
Instituto de Física-USP
menezes@if.usp.br
Cylon E. T. Gonçalves da Silva
Laboratório Nacional De Luz Sincrotron
cylon@lnls.br
Helio Dias
Instituto de Física-USP
heliodias@if.usp.br
Francisco Castilho Alcaraz
Departamento de Física-UFSCAR
alcaraz@power.ufscar.br
(mandato 1997 - 2001)
Luiz Davidovich
Instituto de Física-UFRJ
ldavid@if.ufrj.br
Maria Carolina Nemes
Departamento de Física-UFMG
nemes@if.usp.br
Silvio Roberto De Azevedo Salinas
Instituto de Física-USP
ssalinas@if.usp.br
Alaor Silverio Chaves
Departamento de Física-UNB
alaor@fisica.ufmg.br
Gil da Costa Marques
Instituto de Física-USP
marques@if.usp.br
Suplentes
(mandato 1997 - 1999)
Sergio Galvão Coutinho
Departamento de Física - UFPE
sergio@lftc.ufpe.br
Carlos Alberto Aragão De Carvalho Filho
Instituto de Física-UFRJ
aragao@if.ufrj.br
Fernando de Souza Barros
Instituto De Física-UFRJ
fsbarros@if.ufrj.br
Sylvio Roberto Accioly Canuto
Instituto De Física-USP
canuto@if.usp.br
Vanderlei Salvador Bagnato
Instituto de Física São Carlos-USP
vander@ifqsc.sc.usp.br
I - Correspondência da Diretoria e Conselho
I.1 - Carta do Presidente da SBF ao Reitor da USP
Prof. Dr. Jacques Marcovitch
Magnífico Reitor, Universidade de São Paulo
Rua da Reitoria, 109
Cidade Universitária
05508-900 São Paulo-SP
Rio de Janeiro, 08 de Abril de 1998
Magnífico Reitor,
Recebemos ontem uma carta do Professor Alaor S. Chaves, dirigida à
Diretoria da Sociedade Brasileira de Física, relatando que está sendo processado
judicialmente por um candidato participante de um concurso para Professor Titular
realizado em Novembro de 1997 na USP - São Carlos. O Professor Alaor Chaves participou
como membro Titular da Comissão Julgadora do concurso no qual o candidato foi reprovado.
A Sociedade Brasileira de Física considera que este é um precedente de
extrema gravidade, que poderá inviabilizar todos os processos que exijam comissões
examinadoras com membros externos. Atualmente, grande parte do sistema de ingresso,
promoção e titulação na universidade brasileira baseia-se em pareceres de comissões
julgadoras com membros externos.
Estamos certos que V.S. compreende que é fundamental preservar a
imunidade dos membros das comissões julgadoras com relação à suas decisões de
natureza acadêmica e que, caso ameaçada, deve ser irrestritamente defendida pela
Universidade responsável pela constituição da comissão.
Atenciosamente,
Humberto Siqueira Brandi
Presidente da SBF
I.2 - Carta do Presidente da SBF ao Presidente do CNPq
Professor José G. Tundisi
Presidente
Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico
SEPN 511 - Bloco A, Edifício Bittar II
70750-901- Brasília- DF
Ilmo. Sr. Presidente
Há algum tempo a comunidade científica vem sendo sucessivamente
surpreendida por uma série de medidas que afetam o andamento das pesquisas, a formação
de recursos humanos, a avaliação de projetos e as relações entre os pesquisadores e o
CNPq.
No momento duas questões preocupam especialmente nossa comunidade:
1) Novamente há rumores persistentes sobre uma completa reformulação
na sistemática de avaliação de projetos de pesquisa. O mecanismo tradicional utilizado
há anos pelo CNPq é baseado em Comitês Assessores permanentes de áreas, cujos membros
possuem mandatos definidos. A substituição desse sistema por outro baseado
essencialmente em pareceres de assessores ad-hoc, ou por comissões de carater temporário
(sem membros fixos) trará, em nossa opinião, sérias dificuldades:
i). Dificilmente um Comitê temporário terá uma visão abrangente e
continuada da área, resultado do acompanhamento contínuo dos projetos de pesquisa dentro
de suas áreas específicas. A memória da área corre assim o risco de se perder com esse
novo sistema
ii) É praticamente impossível a normatização de critérios nos
processos de julgamento com comitês temporários.
iii) Os pareceres de consultores ad-hoc podem servir apenas como suporte
em um processo competitivo que pressupõe uma comparação entre projetos. Portanto,
quando a demanda qualificada supera os recursos disponíveis, há um grave risco da
priorização ser decidida pela burocracia, caso não haja Comitês Assessores
permanentes.
iv) Na experiência da Física, o Comitê Assessor representa a
segurança da lisura do processo decisório procurando evitar manipulações indevidas na
concessão de bolsas e auxílios.
2) A grande redução no número de bolsas já está causando sérios
danos em vários programas de pesquisa e de formação de recursos humanos. Essa ameaça
de desestruturação está gerando uma forte incerteza com relação ao futuro, impedindo
qualquer planejamento a curto e médio prazo. Essa situação está sendo agravada pela
sistemática adotada recentemente pelo CNPq que, quando da distribuição das bolsas de
pós-graduação, caracterizou-se pela falta de transparência nos critérios de
alocação das cotas de bolsas entre as diversas áreas e instituições.
A SBF entende que o atual sistema de avaliação pode ser melhorado. No
entanto as mudanças devem preservar os pontos positivos do atual sistema que é fruto de
muitos anos de discussões e da experiência acumulada pela comunidade científica.
Atenciosamente,
Humberto Siqueira Brandi
Presidente da SBF
II - "Notas da Imprensa"
II.1 - A queda das bolsas (de estudo)
Artigo do Deputado José Serra publicado na Folha de São Paulo em
16 de fevereiro.
JOSÉ SERRA. Não foram apenas as Bolsas de Valores que tiveram
problemas de outubro passado para cá. Outras bolsas, as de estudo e pesquisa, também
estão sofrendo avarias.
No bojo das medidas fiscais para enfrentar a crise do balanço de
pagamentos do Brasil (as "51 medidas"), entre outras, sobressaiu uma
providência: o corte no orçamento das bolsas concedidas pelos ministérios da Educação
e da Ciência e Tecnologia a pesquisadores e alunos de mestrado e doutorado das
universidades e dos institutos de pesquisa. O presidente Fernando Henrique bem que poderia
outorgar ao(s) autor(es) da idéia a taça de opositor(es) número um da temporada.
Para começar, um registro: a economia proporcionada pelo corte pode
impressionar à primeira vista, mas é insignificante em face do tamanho do desequilíbrio
que se pretende corrigir. São R$ 100 milhões -em torno de 0,3% do orçamento federal de
custeio (exclusive salários) e capital e cerca de 1% do acréscimo esperado nas despesas
públicas com a alta dos juros.
Em segundo lugar, o corte prejudica uma área que deveria ser a menina
dos olhos da política econômico-social do governo: a qualificação de nível
profissional superior e a pesquisa científica e universitária em geral. Ele atinge,
segundo se anunciou, cerca de 5.000 novas bolsas em 1998.
Afinal, não concordamos todos que qualificação profissional e
desenvolvimento cultural, científico e tecnológico são fundamentais para desenvolver o
país e aumentar a renda e a qualidade de vida de todos? Se concordamos, há um terceiro
aspecto no corte das bolsas: ofereceu-se, mais do que um prato, uma verdadeira travessa
recheada à oposição, para ser servida na campanha eleitoral. A troco de quê? O
objetivo declarado da medida também é estranho.
Diz-se que há desperdício na utilização das bolsas. Se isso é
verdade, por que ele não foi levado em conta durante a elaboração do Orçamento, em vez
de ser objeto de um pacote fiscal de emergência?
É verdade que há estudantes bolsistas profissionais, de mestrado e
doutorado, que ficam anos e anos recebendo sem defender tese? Não há dúvida de que sim
(embora seu número venha se reduzindo nos últimos anos, pelo menos no Estado de São
Paulo).
Resolver esse problema exigiria, porém, a adoção de um outro caminho:
combater a inépcia de quem concede as bolsas vitalícias, forçando-os a adotar regras
mais rígidas para sua renovação anual.
Cortar uma porcentagem das bolsas não elimina nem a inépcia nem o
abuso. Poderão ser mais atingidos os pesquisadores e estudantes sérios do que os
bolsistas profissionais.
Além disso, como o corte se concentra nas bolsas novas, em vez de
melhorar a alocação de recursos, o resultado será a desativação, ao longo do tempo,
de linhas de formação e pesquisa. Fecha-se a porta para a entrada de novos bolsistas,
levando amanhã à redução do número de formados.
Além do combate à inépcia, há outro caminho para ampliar a
concessão de bolsas, que o desenvolvimento cultural, científico e tecnológico do país
exige: estimular a iniciativa privada e mesmo os mais ricos a concedê-las com incentivos
fiscais adequados, que hoje não existem, além de campanhas de convencimento e
motivação.
Paralelamente, seria necessário estimular estudantes e pesquisadores a
procurar doações e financiamentos privados que, no mínimo, complementassem o valor das
bolsas governamentais, permitindo inclusive a ampliação do seu número.
II.2 - Tema em discussão: Corte de bolsas de Pós-Graduação
Jornal: "O Globo" dia 05 de março de 1998
"Um Futuro mais difícil"
A economia a ser obtida é mínima, por qualquer critério de aferição, mas o Governo está decidido a gastar este ano não mais de 90% do que gastou em 1997 em bolsas de estudo do CNPq e do Capes. Mais grave ainda, será reduzida em 50% a verba destinada para bolsas novas.
A estreita correlação entre a rapidez do desenvolvimento econômico de um país e o volume de seu investimento em educação já foi demonstrada e expressa a tal ponto que o tão bem-sucedido e drástico programa de corte de gastos do Governo dos Estados Unidos incluiu aumento, e não diminuição, das verbas federais para essa área.
O presidente Clinton promoveu o maior aumento de verbas em 30 anos e isso dentro de um programa para reduzir a zero um déficit de US$ 290 bilhões.
As condições no Brasil são muito distintas. Mas é difícil acreditar que não tenha sido possível encontrar alternativas ao corte de bolsas de estudo, num país onde os incentivos fiscais, para citar um exemplo notável, representam uma perda de arrecadação, a chamada renúncia fiscal, de cerca de R$ 16 bilhões por ano.
Evidentemente, a concessão desses benefícios faz parte do arsenal legítimo da política econômica de qualquer governo; mas há sérias dúvidas, por exemplo, sobre a relação custo/benefício no caso da Zona Franca de Manaus.
... é garantir a segurança (...) ao preço de um futuro mais difícil
Registrou-se um forte aumento anual no número de bolsas concedidas, a partir de meados da década passada. Por esse motivo, as restrições atuais parecem estar sendo aplicadas onde há excesso, e este é na verdade o argumento que as autoridades empregam para justificar os cortes. Mas é preciso levar em conta que o crescimento que vinha sendo registrado era o resultado de uma mudança de política corajosa, por ter sido implementada em meio a imensas dificuldades econômicas, decorrentes da crise da dívida externa, que se baseou na compreensão de que o Brasil não estava formando pesquisadores e professores a um ritmo compatível com o desenvolvimento econômico que se pretendia.
Assim, o crescimento, que pode parecer anormal, foi o resultado da tentativa de corrigir uma grave deficiência. É lamentável que se abandone agora esse caminho.
Quando se cortam investimentos em educação para assegurar que a moeda permaneça estável, o que se está fazendo é garantir a segurança do presente ao preço de um futuro mais difícil.
III - Informes
III.1 - Carta das Associações e Entidades da Comunidade Cientifica aos Membros
do CD do CNPq
"O CNPq vem cumprindo um papel crucial no apoio ao desenvolvimento
cientifico e tecnológico nacional e suas ações tem contribuído para a expansão e
consolidação da pesquisa no pais.
Atualmente, esse Conselho vem passando por um amplo processo de
restruturação. Neste contexto surge uma questão de grande importância para toda a
comunidade cientifica, qual seja, a das mudanças nos mecanismos de avaliação e, em
particular, no sistema de comitês assessores.
Os representantes das Sociedades Cientificas, abaixo assinados, entendem
que e fundamental aperfeiçoar o modo de funcionamento e a estrutura dos mecanismos de
avaliação em vigor. Entretanto, consideram fundamental a preservação de algumas
características do sistema atual, especificamente a existência de comitês assessores
permanentes, por área de conhecimento, com membros fixos e com mandatos definidos. Tais
características permitem o acompanhamento de cada área, identificando prioridades e
preservando a memória dos critérios adotados e das decisões tomadas.
Reconhecem, outrossim, a importância da criação de uma instancia
superior aos CA's cujas atribuições incluam a uniformização de critérios e de
procedimentos no sistema de avaliação. No entanto, entendem que tal instancia deva ser
constituída a partir de indicações da Comunidade Cientifica.
Assim sendo, solicitamos ao CD que somente decida sobre a questão dos
Comitês Assessores após a mesma ter sido analisada juntamente com as Sociedades
Cientificas. E que conduza um processo de discussão sobre formas de aperfeiçoamento do
sistema de CA's, no qual seja contemplada a preservação das características do atual
sistema acima mencionadas e sejam avaliadas as possíveis conseqüências das
modificações propostas, dando as Sociedades Cientificas condições de contribuir
efetivamente a partir de seu caráter de entidades representativas da comunidade
cientifica."
Atenciosamente,
Mariza Correa Assoc. Bras. de Antropologia (ABA)
Helio Migon Ass. Brasileira de Estatística (ABE)
Leonor Scliar Cabral Assoc. Brasileira de Lingüistica (ABRALIN)
Rita B. Barradas Assoc. Bras. de Pos-Grad em Saúde Coletiva(ABRASCO)
Aldo A. Barreto Assoc. Nac. de Pesq. e PGrad em Ciência da Informação (ANCIB)
Jesus A. Bastos Assoc. Nac. de Pesq. e PGrad. em Educação (ANPED)
Jose R. de Medeiros Sociedade Astron. Bras. (SBA)
Paulo M. Bisch Soc. Bras. de Biofísica (SBBF)
Helena Scofano Soc. Bras. de Bioquímica e Biol. Molecular (SBBQ)
Antonio Gianella Soc. Bras. de Engenharia Biomedica (SBEB)
Humberto Brandi Soc. Bras. de Física (SBF)
Cristina Salgado Soc. Bras. de Farmacologia e Terapêutica Experimental
(SBFTE)
Sergio Fracalanzza Soc. Bras. de Microbiologia (SBMi)
Reinaldo C. Souza Soc. Bras. de Pesquisa Operacional (SOBRAPO)
Ronald Shellard Soc. Bras. Prog. Ciência/RJ (SBPC/RJ)
Angelo C. Pinto Soc. Bras. de Química (SBQ)
III.2 - Transcrição do "JORNAL DA CIÊNCIA" Sobre a Reunião do CD do
CNPq.
Jornal da Ciência (JC E-Mail)
1948-98 - 50 ANOS da SBPC
13 de março de 98 - No. 977 - Noticias de C&T - Serviço da SBPC
1. Conselho Deliberativo do CNPq aprova a proposta de assinatura de
protocolo pelo qual o CNPq torna-se "agencia executiva".
O CD do CNPq, reunido ontem em Brasília, deu sua aprovação unanime ao
projeto que da ao CNPq o status de "agencia executiva".
Como agencia executiva, o CNPq não deixa de ser uma instituição de
direito publico, mas ganha mais autonomia administrativa e financeira e maior
flexibilidade operacional.
É o que informam membros do Conselho Deliberativo.
Em função deste projeto, os Ministérios de Ciência e Tecnologia
(MCT) e Administração e Reforma do Estado (Mare) devem editar proximamente uma portaria,
designando uma comissão especial para redigir os termos do contrato de gestão a ser
assinado pelo CNPq com vistas a assumir a condição de agencia executiva.
O CD do CNPq indicou o físico Sérgio Rezende, atual secretario de
C&T de Pernambuco, para integrar a referida comissão especial MCT-Mare, como
representante da comunidade cientifica.
O CD do CNPq decidiu também continuar o processo de reorganização de
suas estruturas de avaliação. Os Comitês Assessores (CAs) seguirão existindo, mas
terão um modo de atuação mais interativo entre si, tendo em vista a garantia de maior
transparência e o incremento da interdisciplinaridade.
Ao mesmo tempo, está sendo criado um corpo de assessores, que deverá
atender a todos os setores do CNPq, a começar pelas diretorias de Desenvolvimento
Cientifico e Tecnológico, de Projetos Especiais e Superintendência de Cooperação
Internacional.
Este corpo de assessores será composto por pelo menos 300 nomes de
pessoas altamente qualificadas da comunidade cientifica brasileira. E 180 deles deverão
ter, necessariamente, clara visão interdisciplinar.
O CD nomeou uma comissão de cinco membros, entre os quais Jacob Palis,
para redigir os termos das mudanças em curso no CNPq, aprovadas nesta reunião.
Na próxima segunda-feira, poderá ser distribuída nota esclarecendo em
detalhes as decisões do CD.
O CD tomou conhecimento da carta assinada por quinze associações e
entidades da comunidade cientifica enviada aos membros do CD, solicitando que o CD nada
decidisse sem antes de analisar o processo com as sociedades cientificas.
Mas a resolução tomada a respeito foi no sentido de que os trabalhos
de implementação da reforma devem seguir adiante, mantendo-se aberta a possibilidade de
encaminhamento de propostas e sugestões para aperfeiçoar o trabalho que já vem sendo
feito.
Mais dois nomes foram acrescentados ao grupo de assessoria especial da
Presidência do CNPq, aprovados pelo CD: Sergio Rezende, já mencionado, e Cesar Camacho,
do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).
IV - Olimpíada Paulista de Física Relatório No.1
São Paulo, 24.03.1998
Aos 21 dias de março do corrente ano, reuniram-se na sede do Centro de
Difusão Científica e Cultural do Instituto de Física da USP, campus de São Carlos, os
profs. Drs. Euclydes Marega Jr e Dietrich Schiel (USP/SCarlos) e eu, prof. Ms. Ozimar da
Silva Pereira, coordenador do projeto OLIMPÍADAS DE FÍSICA/SBF, para tratar dos
encaminhamentos da olimpíada de física do estado de São Paulo. Após uma hora e meia de
frutífica e amistosa reunião foi decidido:
1. a olimpíada de física do CDCC passará a se denominar OLIMPÍADA
PAULISTA DE FÍSICA, constituindo-se na olimpíada de física reconhecida oficialmente
pela Sociedade Brasileira de Física;
2. será instalada uma coordenadoria no Colégio Pio XII, responsável
pela região da Grande São Paulo e Litoral, sob a responsabilidade do prof. Ozimar, que
seguindo as orientações da coordenadoria central (S.Carlos), organizará uma comissão
com professores das escolas de ensino médio para organizar a divulgação, realizar as
inscrições, instalar sedes regionais (escolas), realizar e corregir as provas das duas
fases da olimpíada;
3. as provas neste ano serão divididas em dois níveis (A) e (B),
contando com programas diferenciados em função da situação das várias escolas do
estado, especialmente, as públicas que encontram maiores dificuldades, ficando a escolha
por conta da própria escola ao inscrever os seus alunos;
4. referente à Olimpíada Brasileira de Física, a coordenadoria da
Olimpíada Paulista de Física, coordenada, então, pelo prof. Dr. Euclydes Marega Jr,
será a representante oficial do estado de São Paulo junto à futura comissão
organizadora da olimpíada nacional.
Quanto à olimpíada brasileira, foram feitos contatos com as comissões organizadoras das olimpíadas de física do estado do Ceará e da região de Juiz de Fora, iniciativa dos Deptos. de Física das Universidades Federais do Ceará e de Juiz de Fora. Foram feitos contatos com o prof. Dr. Waldemar Gorkowsky do Instituto de Física de Varsóvia, coordenador das Olimpíadas Internacionais de Física(IPHO) e com a profa. Giovanna Cavaggioni, organizadora da Olimpíada Internacional de Física de 1999 a se realizar na Itália para levantamento dos requisitos para a participação dos estudantes brasileiros no futuro. Estou
entrando em contato com o prof. Manilerd da Tailândia para obtenção
de um exemplar do livro de sua autoria que faz um apanhado geral das olimpíadas
internacionais de física de 1969 a 1989. Além disso, disponho já de cópias dos
estatutos e estatísticas da IPHO.
No momento, estou fazendo os contatos com os patrocinadores privados
para custeio do material de divulgação (cartazes, programas e fichas) da olimpíada
paulista e com professores de reconhecida capacidade e dinamismo para montar sedes
regionais na grande São Paulo e litoral e para a organização da coordenadoria de São
Paulo.
Sem nada mais a relatar
Atenciosamente
Ozimar da Silva Pereira
V - Nova revista científica: Materials Research
Uma nova revista está começando a ser editada no Brasil de interesse
para os físicos que trabalham em ciências dos materiais ou em áreas vizinhas ou
correlatas. Informações adicionais e instruções para os autores podem ser solicitadas
ao seu Editor Principal: Edgar D. Zanotto, DeMa, UFSCar, Fax (016)2727404, e-mail:
dedz@power.ufscar.br.
Aldo Craievich
Após a promoção conjunta do CBECIMAT em 1996, a Associação
Brasileira de Cerâmica (ABC), a Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM) e
a Associação Brasileira de Polímeros (ABPol) se unem novamente para atender a uma
antiga expectativa dos cientistas de materiais do país, i.e., a criação de um novo
canal de divulgação da produção científica da área, visando principalmente os
artigos de natureza acadêmica e interdisciplinar. No caso específico da área de
Ciência e Engenharia de Materiais, a comunidade no país já é composta por um
contingente numeroso e qualificado de pesquisadores, em condições de contribuir para a
criação e continuidade de uma revista de padrão internacional. A possibilidade de
edição conjunta pelas três associações mais representativas desta comunidade propicia
uma optimização do esforço, tanto pela redução dos custos, quanto pela maior
integração entre os diversos segmentos.
É oportuno enfatizar que não existe na América Latina um periódico indexado específico para registrar, com padrão de qualidade internacional, a produção científica em ciência dos materiais. Em conseqüência, o registro da pesquisa desenvolvida no país fica restrito aos anais de congressos e seminários, à publicação em revistas de áreas correlatas (Física, Química, Mecânica, etc.), ou à eventual divulgação de artigos específicos seleccionados pelas revistas publicadas pelas associações técnico-científicas (ABC, ABM, ABPol). Esta situação consagrou, não apenas o princípio de se enviar os melhores trabalhos para publicação no exterior, como também uma ênfase acentuada na produção de anais de congressos, nem sempre sujeitos a critérios padronizados de revisão e de posterior divulgação. A criação de uma revista científica, portanto, viria atender esta demanda.
VI - II-Avaliação do Subprograma de Novos Materiais - SNM/PADCTII
AVALIADOR: Fernando C. Zawislak - Instituto de Física, UFRGS, Porto
Alegre
Esta avaliação foi realizada a pedido da Secretaria Executiva do PADCT
em julho/agosto de 1996. O objetivo da avaliação foi colher opiniões independentes
sobre o desempenho do sub-programa de novos materiais no PADCT-II, tendo em vista o
estabelecimento dos rumos do sub-programa no PADCT-III. A presente avaliação, feita por
Fernando C. Zawislak, está sendo publicada no Boletim da SBF com a autorização do
Secretário Executivo do PADCT.
1. Introdução
O subprograma de Novos Materiais teve início em 1990, no PADCTII. Os 77 projetos aprovados a partir dos editais de 1990, 1992 e 1994 foram avaliados pelo GT em fins de 1995, cujo relatório, além da análise geral do subprograma, e das recomendações, apresenta tabelas e dados relativos à produtividade nos projetos. A avaliação realizada pelo GT é uma espécie de autoavaliação, pois os 3 (três) GT bem como os 5 (cinco) CA que geriram o programa nestes 5 anos fizeram parte do mesmo e participaram muito ativamente da institucionalização da política que norteou o subprograma. Isto significa que as avaliações feitas pelos GT basearamse não somente nos relatórios dos projetos, mas também em conhecimentos característicos do subprograma não disponíveis para um avaliador ad hoc.
A presente avaliação é baseada unicamente nos relatórios recebidos pelo subprograma em 1995. Infelizmente, a maioria dos relatórios não contém as desejadas informações para uma avaliação objetiva dos projetos desenvolvidos. Inclusive 15 projetos provavelmente não apresentaram relatórios, pois os mesmos não se encontram na documentação que recebi da secretaria do subprograma. Na realidade, dos relatórios dos 50 maiores projetos, que absorvem mais de 80% dos recursos, 1/3 é bem feito, 1/3 é muito resumido e sem informações objetivas e 1/3 inexistentes!
Como há bons relatórios, o problema provavelmente não está no formato do relatório, mas no procedimento de coleta dos mesmos. Este fato dificulta uma análise pormenorizada, baseada na produtividade individual dos projetos. Contudo, penso que as informações e os documentos disponíveis, as proposições iniciais e as linhas do subprograma, e o conhecimento que tenho da área são suficientes para uma avaliação dirigida no sentido de contribuir para estabelecer os rumos do subprograma no PADCTIII.
É importante destacar, aqui, a realidade que já foi abordada em avaliações anteriores, qual seja de que o PADCT, nos últimos 4 a 5 anos foi praticamente a única fonte de financiamento para a pesquisa acadêmica (principalmente em recursos de capital), face à retração dos apoios tradicionais da FINEP (via FNDCT) e do CNPq. Ou seja, o SNM não funcionou como uma fonte complementar de recursos com fins estratégicos. De fato o aporte financeiro do subprograma de Novos Materiais foi absorvido em grande parte por grupos existentes nas áreas correlacionadas com a ciência dos materiais, e que já tinham programas
de pósgraduação bem estabelecidos. Neste sentido atribuir ao SNM
toda a produção científica e de formação de pessoal destes grupos durante o período
não é totalmente apropriado e, conseqüentemente, avaliar o sucesso do SNM unicamente
pelo número de publicações, e de mestres e doutores formados, não parece ser o melhor
caminho. É óbvio que o PADCT e em particular o SNM foi da maior importância para a
manutenção e o crescimento de nosso sistema de C & T; seu impacto foi
grande, contudo hoje o problema é analisar o subprograma com os olhos voltados para o
PADCTIII.
2. Algumas Considerações sobre Ciência e Engenharia dos Materiais
Apesar da denominação de "subprograma de Novos Materiais", as atividades desenvolveramse não só na área de materiais novos como também na de materiais tradicionais. Por esta razão e por outras que discutirei adiante, é oportuna e adequada a proposta do GEA de dar um novo nome para o subprograma no PADCTIII: Ciência e Engenharia dos Materiais.
Os primeiros laboratórios planejados de pesquisa em materiais surgiram nos Estados Unidos em 1960. Tendo em vista algumas propostas e discussões que farei ao longo deste trabalho, é importante lembrar, mesmo que rapidamente, como se chegou nos Estados Unidos ao cenário que gerou a necessidade dos laboratórios de ciência e engenharia dos materiais.
A II Guerra Mundial mostrou que Ciência & Tecnologia tinham muito que contribuir para a defesa nacional e para a prosperidade dos países e, portanto, eram atividades que deveriam e poderiam ser apoiadas pelo governo federal. Outro fato marcante na época era a convicção de que a preparação da nova geração de cientistas e engenheiros, bem como a realização de grande parte da pesquisa apoiada pelo governo federal, poderiam ser desenvolvidas apropriadamente nas universidades. Finalmente, o cenário completavase com uma nova idéia de apoio à atividade de pesquisa através de contratos (grants), que permitiam ao contratado usar seus conhecimentos e iniciativas com maior liberdade e agilidade, em vez de simplesmente prestar serviços sob especificações preestabelecidas do contratante. Este último aspecto foi de extrema importância para o sucesso dos Laboratórios de Materiais bem como para o desenvolvimento da C & T em geral durante a egunda metade deste século.
O panorama descrito acima previa avanços espetaculares em pesquisa de materiais, que teriam profundo efeito na sociedade americana, bem como em outros países. Face a seus últimos desenvolvimentos a física estava finalmente pronta para o casamento com a metalurgia e com a química. Umas necessitavam das outras. Estavam todos convencidos de que o "design" e a criação de novos materiais como compósitos, catalisadores, filmes protetores, etc., necessitavam de uma verdadeira colaboração entre químicos, físicos e engenheiros; era o início da interdisciplinaridade. O desenvolvimento mais espetacular em materiais foi o dos semicondutores, que viabilizou toda a indústria de informática.
Em 1960 a Agência de Projetos de Pesquisa Avançados (Advanced Research Projects Agency - ARPA), do Departamento de Defesa dos EUA, criou os Laboratórios Interdisciplinares, mais tarde conhecidos como Laboratórios de Pesquisa em Materiais.O programa foi implantado através de uma comissão interagênciais, que recomendou a criação
de laboratórios interdisciplinares para pesquisa em materiais em várias universidades, com o objetivo de realizar pesquisa e treinar alunos de pósgraduação. As primeiras 12 Universidades escolhidas foram: Cornell, Pennsylvania, Northwestern, Brown, Chicago, Harvard, Maryland, MIT, North Carolina, Purdue, Stanford e Illinois.
Além destas universidades, a Comissão de Energia Atômica apoiou laboratórios semelhantes na UCBerkeley e University of Iowa. Outros programas menores foram apoiados pela NASA, elevando o total de Laboratórios de Pesquisa em Materiais para uma vintena.
Estes laboratórios surgiram na atmosfera de competição tecnológica da guerra fria e foram, em certo sentido, uma reação ao sucesso do Sputnik I lançado pela Rússia em fins de 1957. O Programa Nacional de Materiais foi criado pelo Presidente Eisenhower através do Escritório de Ciência da Casa Branca e do Comitê Assessor de Ciência; a criação desse programa ilustra um dos primeiros e melhores exemplos de liderança por um Chefe de Estado na área de Ciência e Engenharia no Século XX.
Nestes mais de 30 anos, a área desenvolveuse espetacularmente tanto
nos Estados Unidos como em outros países do 1§ mundo. Os programas americanos de
ciência e engenharia de materiais foram avaliados exaustivamente por várias comissões
nos últimos anos. A recente avaliação por um Comitê sobre Ciência e Engenharia dos
Materiais do National Research Council (chairmen: Praveen Chardhari e Merton Flemings)
envolveu vários grupos formais, com um total de 109 membros da comunidade científica
americana, e resultou na publicação de um livro com o título: Materials Science and
Engineering for the 1990 s: Maintaining Competitiveness in the Age of Materials
(National Academy Press, Washington DC 1989). Este relatório faz uma série de sugestões
sobre a área e discute a sua importância para o desenvolvimento dos Estados Unidos.
Transcrevo abaixo algumas das recomendações/observações:
Não há nenhuma dúvida sobre a importância da área e podemos dizer
que hoje ciência e engenharia dos materiais tornouse tão fundamental para o
desenvolvimento tecnológico como a matemática o é para o desenvolvimento das ciências
naturais.
3. Ciência e Engenharia dos Materiais no Brasil
Passaramse mais de 30 anos desde a criação formal dos centros de pesquisa em materiais nos Estados Unidos, e estamos, no Brasil de hoje, praticamente na situação deles em 1960. Isto significa que as iniciativas hoje sugeridas nas avaliações desta área, nos países desenvolvidos, não são todas adequadas a um país que se encontra no estágio do Brasil. Por exemplo, uma das conclusões mais importantes do comitê que redigiu o livro Materials Science and Engineering for the 1990s, citado no item anterior foi que, "uma melhor integração de ciência e engenharia dos materiais com os interesses da indústria e do comércio é necessária para melhorar as posições das firmas dos Estados Unidos na competição doméstica e internacional; o objetivo é reforçar P & D de longo alcance na indústria". Este é de fato o problema dos países desenvolvidos, onde a atividade de pesquisa em materiais está institucionalizada nas Universidades, com Centros, Institutos, Laboratórios e Departamentos na área.
Infelizmente esta não é a situação no Brasil. Nossa situação, como foi dito acima, é semelhante à dos Estados Unidos na década de 1960. Da mesma forma que lá em 1960, hoje no Brasil poucos departamentos ou grupos acadêmicos de nossas Universidades têm "poder de fogo" (recursos humanos qualificados em número suficiente, várias experiências prévias, etc.) para desenvolver pesquisa em ciência e engenharia de materiais e ainda interagir eficientemente com as empresas. É verdade que há bons departamentos nos campos da Metalurgia Física, da Mecânica, de Física dos Metais, de Materiais Óticos, de Semicondutores, bem como esforços ocasionais em Cerâmica, em Ciência de Polímeros, etc. No entanto, praticamente nenhum destes departamentos (ou grupos) cobre de modo competente pesquisa em ciência e engenharia dos materiais em toda a sua gama desde a estrutura do material até o seu processamento.
A escolha do nome Ciência e Engenharia dos Materiais não é feita por acaso. Não se destina a "dicotomizar" ciência de um lado e engenharia de outro, mas sim para unificálos. Esta escolha reflete o fato de que somente haverá sucesso na área, se apoiarmos as atividades de pesquisa dos materiais em toda a gama científica e tecnológica, incentivando a coexistência de ambas sempre que possível. Por exemplo, um centro ou um laboratório de pesquisa na área de materiais onde predominem estudos de caráter acadêmico respondendo unicamente a perguntas do tipo "por quê?" é tão impróprio como um outro que se dedicasse somente aos aspectos técnicos, a responder "como fazer?". Ambas atividades são importantes, mas na pesquisa de fronteira de materiais nenhum dos dois objetivos é isoladamente adequado. Se o primeiro triunfar repetemse os departamentos de física, química, etc.; se o segundo objetivo predominar o centro transformase em um repassador de receitas mal compreendidas, tornandose obsoleto em alguns anos.
Vista na ótica unificadora discutida acima, a pesquisa em materiais no Brasil ainda é muito rudimentar. Antes de alcançarmos uma forte interação com a indústria nacional, que é o desejo de todos, é necessário criar dentro da Universidade o espírito e a atividade interdisciplinar, bases do desenvolvimento autóctone da pesquisa em ciência e engenharia dos materiais, e em muitos outros campos da moderna tecnologia. Somente usando de forma coordenada as ferramentas disponíveis na Química, Física, Engenharia, Matemática,
Geociências, Biologia, etc. é que conseguiremos entender, caracterizar, justificar, desenvolver, fazer e aplicar os materiais.
Praticamente todos os relatórios sobre o SNM são unânimes em afirmar que a maior frustração do subprograma foi o nível de interação com a indústria, e o relatório do GT (25/11/95) diz claramente que a proposição de promover a interação com a indústria foi prematura. O que de fato aconteceu foi um descompasso entre as intenções do programa - que pretendia apoiar a interação indústriaacademia - e a realidade do país, onde existiam grupos acadêmicos que tinham condições de absorver os recursos para iniciar pesquisas interdisciplinares relacionadas aos materiais, mas ainda não tinham estrutura nem experiência para interagir eficientemente com o setor produtivo. Na verdade houve interação de poucos grupos com o setor produtivo, alguns em áreas mais tradicionais de processamento e síntese de materiais, como ligas metálicas amorfas, desenvolvimento de aços especiais, aços nitretados por plasma, etc. e outros simplesmente prestando serviço. É muito importante ressaltar que com a crescente abertura do mercado nacional a única solução para o país é desenvolver pesquisa de materiais de alto nível, caso contrário não poderemos competir com outros países, e inevitavelmente nossas indústrias, usando tecnologia baixa ou intermediária, serão aniquiladas pela concorrência.
Isto significa que não foi por falta de percepção da comunidade científica que a interação com a indústria frustrou, em parte, o projeto: a razão reside na tradição de pesquisa em nossas universidades, que é calcada na unidisciplinaridade. Praticamente todas as áreas de ponta da moderna tecnologia, e em especial a ciência e a engenharia dos materiais, progrediram em alguns países desenvolvidos graças à estrutura interdisciplinar lá existente. A criação de centros de materiais nos Estados Unidos a partir da década de 1960 resultou em novos departamentos nas áreas interdisciplinares e conseqüentemente na formação de engenheiros e cientistas com uma visão diferente e mais adequada para trabalhar no setor produtivo em áreas de fronteira.
O caráter de formação estreita, no sentido de limitada (unidisciplinar), que estamos dando aos nossos pósgraduados, não é apropriado para carreiras não acadêmicas, pois a indústria necessitará cada vez mais de profissionais que deverão ter uma formação mais ampla, mais diversificada, mais interdisciplinar. É necessário então dar primeiro este tipo de formação a nossos profissionais, aumentar a versatilidade dos estudantes, principalmente na pósgraduação, criando assim o material humano apropriado para promover a desejada parceria com a indústria.
As fronteiras do desenvolvimento científico, tecnológico e industrial
de hoje e as previsões para as próximas décadas mostram claramente que devemos preparar
as novas gerações de profissionais para carreiras que serão progressivamente diferentes
das de hoje. Sobre este assunto a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos,
através de seu comitê sobre Ciência, Engenharia e Política Pública, divulgou um
relatório intitulado "Reshaping the Graduate Education of Scientists and Careers".
Este relatório propõe o estudo de estratégias que melhor preparem os pósgraduados
para um leque mais amplo de oportunidades de empregos principalmente na indústria, bem
como nos centros de pesquisa e mesmo na própria Universidade. É interessante citar o
caso da física nos Estados Unidos, onde 45% dos físicos já trabalham em áreas que não
são de física (administração, comércio, bolsa de valores, etc.).
As considerações acima mostram que temos no Brasil uma tarefa enorme a realizar. De um lado continuar a formar pessoas de alto nível em todas as disciplinas (o que aliás vem sendo bem feito em várias áreas na Universidade) e de outro lado, e em paralelo, ampliar a formação de profissionais com maior versatilidade, que tenham mais afinidade com os campos modernos da economia, os quais envolvem P & D em áreas eminentemente interdisciplinares como informática, ciência e engenharia de materiais, biotecnologia, ecologia, etc.
Portanto, em minha opinião, antes de investir pesadamente em um
programa estratégico de interação direta da incipiente área de ciência e engenharia
dos materiais (das nossas Universidades) com a indústria, é necessário investir
estrategicamente no fortalecimento das atividades interdisciplinares em nossas
instituições, pois somente estas levam a tecnologias modernas no campo dos materiais.
4. A Interação Universidade-Indústria
Hoje as universidades estão sob crescentes pressões para transformaremse também em instrumentos diretos do desenvolvimento econômico. No Brasil há propostas, sugestões e imposições de todos os lados com este objetivo. Alguns sugerem até integração da universidade com a indústria, como se fosse possível integrar duas coisas tão diferentes. Na verdade o que é necessário é aumentar a interação entre ambas, devendo a universidade continuar a fazer prioritariamente o que lhe compete e o que ela sabe fazer: formar profissionais com o perfil adequado para o setor produtivo; e a indústria, por seu lado, também deve continuar a fazer o que só ela sabe: produzir novos produtos, movimentar a economia do país e ganhar dinheiro.
A história dos benefícios econômicos locais provenientes da universidade engloba exemplos como Stanford e o Vale do Silicio, M.I.T. e a rota 128 nos Estados Unidos, São José dos Campos e o ITA no Brasil, etc. Nestes locais, a universidade foi fundamental para o surgimento e o crescimento de milhares de indústrias.
A Universidade de Stanford fez recentemente uma enquete (veja o artigo Roundtable: Whither Now our Research Universities? Physics Today, March 1995) com o objetivo de entender de que forma ela contribuiu para a origem e o crescimento das indústrias no Vale do Silício. Entre outras, foram feitas as seguintes perguntas: quem iniciou as firmas na área?; o início estava associado à faculdade, aos estudantes ou aos profissionais de Stanford; que fração da tecnologia usada pela firma tinha origem direta ou indireta de Stanford? O resultado mostrou que das 3.000 indústrias pesquisadas no Vale do Silício, um terço (1000 firmas) foi originada por pessoas que em alguma época estiveram associadas a Stanford. Contudo, no que se refere ao uso direto de tecnologia desenvolvida em Stanford, somente 5%, ou seja 150 indústrias, tinham recebido benefício direto. Isto mostra que, de fato, o papel mais importante que a Universidade de Stanford teve, foi o de fornecer uma força de trabalho competente que ajudou a criar as indústrias no Vale do Silício.
Este resultado mostra de forma clara e convincente que o principal negócio das boas Universidades é formar pessoas competentes. Na verdade, a existência de uma Universidade com alto nível de pesquisa em determinado lugar, não é condição suficiente
para que neste local surja uma cidade industrial. Para tanto, são necessários contexto adequado, capital de risco, instituições financeiras sólidas, etc.. Isto significa que como não é possível prever com certeza onde poderá surgir um "novo" Silicon Valey, é muito importante que o governo faça investimentos em pesquisa (básica e tecnológica) em todas as Universidades do país que para tanto tenham nível.
Se estas conclusões são características de uma universidade do nível
da de Stanford, as mesmas valem mais ainda para o nosso país. Elas mostram que mesmo numa
universidade de alto nível, a interação direta com o setor produtivo é marginal (5%).
É necessário reforçar os departamentos de física, química, matemática, das
engenharias, etc., para depois pensar na interação efetiva com a indústria, com
profissionais competentes e atualizados. Não podemos perder a oportunidade de alcançar
os desejados níveis de desenvolvimento científico e tecnológico autóctones, investindo
recursos numa interação universidadeindústria prematura, e que está fadada ao
insucesso. Vejo até uma certa semelhança entre o argumento de que para acelerar o nosso
desenvolvimento devemos investir pesadamente na interação com a indústria, com a
desastrosa reforma da escola média na década de 1960/70 quando transformamos uma boa e
sólida educação secundária em opções profissionalizantes que não serviram para
nada, mas certamente contribuíram para atrasar o nosso desenvolvimento.
5. Recomendações
As conclusões estão divididas em duas partes, uma de recomendações
gerais baseadas mais na minha visão da área de ciência e engenharia de materiais e
outra de recomendações específicas tendo em vista mais concretamente a análise dos
projetos desenvolvidos no subprograma.
5.1. Recomendações Gerais
1. Criação de centros interdisciplinares na área de ciência e engenharia dos materiais nas universidades brasileiras.
Face à estrutura estanque de seus departamentos, a universidade brasileira está encontrando dificuldades em desenvolver ensino e pesquisa interdisciplinares. É muito importante forçar seu caminho nesta direção. Esta iniciativa justificase, no atual panorama de C & T no país, não somente pela necessidade estratégica de um desenvolvimento tecnológico moderno (conforme discuti nos itens anteriores), mas também para canalizar pesquisadores competentes da universidade e dos institutos de pesquisa para atividades que certamente apresentam desafios maiores e são da maior importância para o país. A implementação de centros nas áreas de materiais nas universidades, além de dar guarida a muitos pesquisadores que atualmente estão em departamentos de química, física, engenharia, geociências, etc., imporá à universidade a necessidade de criar departamentos, centros ou institutos nesta área, única forma de institucionalizar a interdisciplinaridade em ciência e engenharia dos materiais, na perpectiva unificadora que discuti no item 3. É absolutamente necessário que ciência e engenharia dos materiais tornemse um único campo coerente.
Um outro argumento em favor desta proposta é que um sistema semelhante foi implementado em 1960 nos Estados Unidos com pleno sucesso. A partir do final da década de 1970 o estudo de materiais é uma disciplina presente nas universidades americanas. Além disso a forma interdisciplinar da pesquisa teve um enorme impacto nas universidades que criaram os Laboratórios de Ciência e Engenharia dos Materiais. O próprio modo de organização das atividades de pesquisa foi afetado, pois além de trazer um novo estilo na organização da pesquisa, foi o fator mais importante na aceleração do processo de modernização dos currículos acadêmicos, aliás uma necessidade urgente da universidade brasileira.
Finalmente, a presente recomendação está em consonância com as recomendações gerais do GEA para o subprograma (Report on the XIIth Ordinary Meeting, Dec. 1995): to generate basic knowledge and create a multidisciplinary basis necessary for the understanding, control and prediction of material properties, as well as its processing and production, aiming at applications in devices, equipment, machines and systems.
2. A criação de centros interdisciplinares na área de ciência e engenharia dos materiais deve atender o país com uma preocupação regional.
Como há competência em várias universidades e/ou centros de pesquisa, distribuídos pelo país, o programa que estou propondo deve, respeitadas as necessárias condições de qualidade científica e tecnológica, sair do eixo RioSão Paulo. Não seria apropriado repetirmos o que aconteceu com a criação dos dois centros nacionais, um de caracterização e outro de processamento de materiais, ambos em São Paulo. Quero deixar claro que a presente proposta de centros interdisciplinares não deve ser confundida com estes dois centros (que obviamente têm a sua utilidade), pois ambos são mais dirigidos para prestação de serviços.
Se não for possível implementar uma distribuição regional adequada dos centros interdisciplinares via edital, deverão ser constituídas comissões, incluindo assessores do exterior para alcançar este objetivo. Como já está dito no relatório do GEA, o subprograma de ciência e engenharia dos materiais não pode ser organizado com os olhos voltados somente para o sudeste.
3. No mínimo 60% (sessenta por cento) dos recursos do novo Subprograma de Ciência e Engenharia dos Materiais do PADCT III deve ser investido em centros interdisciplinares de ciência e engenharia dos materiais.
Esta proposta somente terá impacto se o montante de recursos do subprograma no PADCT III for no mínimo da mesma ordem do anterior. A minha proposta de alocação de fundos do subprograma é a seguinte:
60% para centros interdisciplinares;
20% para pesquisa em áreas estratégicas a serem definidas;
20% para projetos de parceria universidade/indústria.
A proposta de distribuição dos recursos sugerida pelo GEA privilegia o investimento em projetos de parceria universidade/indústria (40 a 50%) enquanto que a
presente proposta privilegia a criação de centros interdisciplinares (60%), e destina 20% dos recursos para os projetos de parceria entre universidade e indústria. Apesar do relativo insucesso desta parceria no SNM do PADCT II, creio que é importante continuar investindo moderadamente (20%) na interação universidadeempresa, não tanto pela expectativa de resultados tecnológicos de fronteira, que serão poucos, mas pelo valor educativo que estes projetos trazem para ambos os lados.
No que se refere ao investimento de 20% dos recursos do subprograma para projetos em áreas estratégicas a serem definidas, estou de acordo com a proposta do GEA.
5.2 Recomendações Específicas
1. Nos projetos de parceria universidadeindústria é necessário que ambos os lados façam relatórios periódicos.
Através dos atuais relatórios é difícil perceber como se desenvolveram os projetos de parceria universidadeindústria: quais foram os ganhos reais de ambas as partes? Houve interação entre pessoal ou simplesmente o resultado foi transferido para a indústria? Como foi feito a transferência? Etc.
2. A transferência de recursos das agências envolvidas aos beneficiários deve ser agilizada, respeitando cronogramas preestabelecidos.
Esta é uma das reclamações da maioria dos beneficiados, e já foi motivo de recomendações dos GT, e do GEA. Afinal um programa estratégico deve necessariamente ser eficiente inclusive para colher resultados e efeitos imediatos. Um programa burocratizado e lento obviamente não será efetivo para atrair a indústria.
3. Se o subprograma continuar a financiar centros nacionais de grande porte, do tipo dos dois criados no SNMPADCTII, as escolhas não podem ser feitas unicamente por edital, mas sim por estudos detalhados inclusive envolvendo especialistas do exterior.
Em princípio sou contrário à criação de centros deste tipo, que na realidade acabam sendo majoritariamente de prestação de serviços. Um estudo detalhado por comissão indicada para este fim (que deveria incluir membros do exterior) poderia estabelecer critérios que favorecessem a distribuição de centros regionalmente no país, o que não foi feito no SNM do PADCTII.
4. Um dos projetos estratégicos deveria ser a produção de um livro texto de ciência e engenharia de materiais para estudantes de graduação.
O ensino desta área em nossas universidades é rudimentar, e a existência de um texto preferencialmente em português seria um incentivo grande, inclusive para alunos de outras áreas que tenham interesse em ciência dos materiais. Há bons textos em inglês, mas são relativamente velhos (Van Vlack: Materials Science for Engineers, McGrawHill, 1970 e Guy: Introduction to Materials Science, McGrawHill, 1972). A produção de livrostexto é uma atividade de alto poder educativo e que é descuidada no Brasil. O texto poderia ser um veículo para mostrar ao jovem todas as potencialidades do campo de ciência e engenharia dos materiais. Aliás é absolutamente necessário formar um número muito maior
de engenheiros no país, principalmente nas áreas relacionadas com materiais. É oportuno lembrar que o Brasil, segundo dados estatísticos recentemente publicados pelo CNPq (vide Indicadores Nacionais de Ciência e Tecnologia - 199094, janeiro de 1996), ocupa o último lugar na distribuição percentual de engenheiros formados na graduação, em 1991 (entre 10 países selecionados do 1§ mundo e vários no mesmo nível econômico de desenvolvimento do Brasil). Em compensação o nosso país ocupa na mesma estatística o 1º lugar em número de profissionais formados na área das ciências sociais. A área de ciências sociais é importante e deve ser incentivada, contudo sem engenheiros nunca chegaremos a um nível de desenvolvimento econômico competitivo.
5. É absolutamente necessário reformular o sistema de acompanhamento dos projetos.
Muitos dos relatórios recebidos contêm poucas informações de importância para uma avaliação do subprograma. A relação detalhada dos equipamentos adquiridos é útil, mas não seria necessário incluir pequenos aparelhos. Mais importantes seriam informações dizendo como o projeto evoluiu dentro da instituição, se houve estágios de pessoal da indústria no departamento e viceversa, etc. Aliás este tipo de estágio deveria ser incentivado no subprograma.
Um outro aspecto negativo, já destacado na presente avaliação, foi o fato de que pelo menos 1/3 dos projetos não enviaram relatórios (ou talvez os relatórios não chegaram aos seus destinos no MCT). É urgente resolver esta situação, pois além de ser uma obrigação dos beneficiários darem conta dos recursos recebidos, a ausência do relatório dificulta uma boa avaliação do subprograma. Na verdade, esta deficiência está bem caracterizada no relatório do GT do SNM de novembro de 1995, que diz textualmente: "o SNM ainda não tem instrumentos eficazes de avaliação dos resultados dos projetos, especialmente quanto a seu impacto tecnológico".
6. Os projetos de parceria UniversidadeIndústria, deverão apresentar seminários públicos discutindo os resultados obtidos.
Um ano após a contratação dos projetos nesta área, a administração do subprograma organizará um evento onde ambas as partes dos projetos deverão apresentar os resultados obtidos. Esta atividade terá um alto valor educativo. A realização destes seminários deveria ser uma exigência do edital.
7. Devem ser criados grupos de trabalho dentro do subprograma com o objetivo de organizar painéis que discutam e façam sugestões tendo em vista desenvolvimentos estratégicos na área de ciência e engenharia dos materiais.
Tais painéis deverão: i) identificar áreas de pesquisa de importância nacional em ciência e engenharia de materiais e avaliar oportunidades e necessidades no campo; ii) indicar os caminhos para uma cooperação internacional objetiva e principalmente de interesse para o nosso país; iii) avaliar a competição internacional nas diversas áreas de ciência dos materiais; iv) discutir os aspectos de educação na área de ciência e engenharia dos materiais, indicando as formas e os meios através dos quais as futuras gerações de engenheiros e cientistas deste campo deverão ser educados.
8. A análise dos projetos deve continuar a ser feita pelos pares.
Nas áreas em que não houver pesquisadores no país, deverão ser usados avaliadores do exterior. Além disso, é necessário que os membros dos CA sejam pesquisadores da maior competência e com experiência internacional na área de ciência e engenharia dos materiais.
6. Considerações Finais
A análise dos relatórios disponíveis dos projetos do SNMPADCTII mostra com clareza o grande impacto que o subprograma já teve nas comunidades científica e tecnológica do país. Este foi, sem dúvida, o maior esforço feito no Brasil para direcionar pesquisadores locais para áreas e temas da ciência e da engenharia dos materiais. A resposta mais positiva foi obtida do meio acadêmico como era de esperar. O caráter indutivo do subprograma não aconteceu na área da interação universidadeempresa, mas sim no aumento da interdisciplinaridade dentro das Universidades e dos Institutos de Pesquisa. Isto também poderia ser previsto, como discuti amplamente nos itens anteriores, face à estrutura de nossa universidade.
A recomendação mais importante, que resulta da presente avaliação do
SNMPADCTII, é que no novo subprograma de ciência e engenharia de materiais do
PADCTIII, 60% dos recursos sejam investidos na criação de centros interdisciplinares
nesta área nas universidades brasileiras. Creio ter justificado nos itens anteriores a
necessidade e a urgência desta iniciativa para o nosso desenvolvimento em vários campos
da moderna tecnologia de materiais. No entanto, não posso deixar de comentar os
resultados de um Workshop realizado em Washington (USA) em junho de 1996, com o objetivo
de dar subsídios ao recentemente formado "National Research Council Committee on
Condensed Matter and Materials Physics", cujo chairman é o Prof. Venky
Narayanamurti. As constatações mais importantes do Workshop foram: i) em algumas
universidades americanas falta atividade interdisciplinar na área da física; ii) foi a
interdisciplinaridade que propiciou alguns dos maiores avanços tecnológicos em novos
materiais durante a última década; iii) a qualidade da educação em ciência deve ser
reexaminada em todos os níveis. Isto significa que mesmo nos Estados Unidos, onde os
centros interdisciplinares de materiais tiveram início há mais de 30 anos, ainda há uma
forte preocupação com este tema, que é sem dúvida também de grande importância para
o correto desenvolvimento da ciência e da engenharia dos materiais em nosso país.
Porto Alegre, 13 de janeiro de 1998.