IV. ARTIGOS

Apoio à ciência é tarefa do governo

Presidentes de 16 grandes empresas norte-americanas publicaram texto na imprensa defendendo o fomento à pesquisa científica e tecnológica como função importante do governo federal.

Eles afirmam que a liderança tecnológica do país-resultado da parceria entre Universidade, governo e iniciativa privada-proporcionou desenvolvimento econômico e bem-estar social.

"Imagine a vida sem vacinas contra a pólio e marcapassos cardíacos. Sem computadores. Sem sistemas de purificação de água. Sem previsão de tempo por satélite. Sem terapias avançadas contra o câncer.

Sabemos que esses e outros milhares de avanços tecnológicos fizeram a sociedade americana a mais avançada da história. Eles tornaram nossa economia mais competitiva, criaram milhões de empregos e elevaram nosso padrão de vida. Melhoraram grandemente nossa saúde e estenderam nossa expectativa de vida. Em um sentido muito real, eles epitomizaram o 'Sonho Americano'.

Esses avanços são o produto de parceria de longa duração, que, constituindo uma política nacional, levou à descoberta e ao desenvolvimento de novas tecnologias. Por muitos anos. governos de ambos os partidos, trabalhando com o Congresso apoiaram consistentemente programas de pesquisa universitária como investimento vital para o futuro de nosso país. A indústria desempenhou papel igualmente crítico, conduzindo essas novas tecnologias ao mercado.

Esta parceria envolvendo a capacidade instalada científica e educacional da Universidade americana, o apoio financeiro do governo federal e as atividades de desenvolvimento na indústria tem sido fator crucial na manutenção da liderança tecnológica da nação ao longo da maior par-te do século 20.

Infelizmente, hoje, a liderança tecnológica americana está gravemente ameaçada. Na me-dida em que o governo federal diminui suas despesas, ocorrem pressões para serem cortados os recursos para a pesquisa universitária crítica.

A pesquisa universitária é alvo tentador. Muitas pessoas não conhecem o papel decisivo que ela desempenha. Podem passar anos de intenso trabalho de pes-quisa antes que uma tecnologia atinja o mercado. A história tem mostrado que é a pesquisa apoi-ada pelo governo federal que fornece o capital verdadeiramente paciente' para realizar pesquisa básica e criar o ambiente necessário ao processo de assumir riscos, essencial à descoberta tecnológica.

Hoje nós, abaixo assina dos, executivos de algumas das companhias americanas líderes em tecnologia acreditamos que nosso futuro econômico e de bem estar social podem estar ameaçados. Podemos atestar pessoalmente que grandes e pequenas companhias na Amé-rica, todas, dependem de dois produtos de nossas Universida-des de Pesquisa: novas tecnologias e cientistas e engenheiros bem preparados.

Por todas essas razões, é essencial que o governo federal continue seu papel tradicional no ambiente universitário como financiador de pesquisa básica e aplicada. Se nós quisermos manter o 'Sonho Americano' intacto, necessitamos preservar a par-ceria que o tem sustentado por todo esse tempo. Na medida em que chegamos aos anos finais do século, é preciso reconhecer que estamos vivendo um momento de verdade.

Continuaremos a nutrir esse ambiente de inovação muito especial que fez do século 20 o 'Século Americano'? Ou seguiremos outras civilizações e deixaremos nossa liderança para nações mais corajosas e confiantes. Na hora em que o Congresso decidir sobre a pesquisa universitária, não poderá haver dúvida: nós estamos determinando, hoje, o século 21."

W. Wayne Allen (Phillips Petroleum), George Fisher (Eastman Kodak), Gerald Greenwald (United Airlines), Randall Tobias (Eli Lilly), Norman Augustine (Lockheed Martin), Robert Galvin (Motorola), George Heilmeier (Bellcore), Roy Vage!os (Merck), John Clendenin (BellSouth), Louis Gestner Jr.(lBM), Jerry Runkins (Texas Instruments)l John Welch (General Electric), Robert Eaton (Chrysler), Joseph Gorman (TRW), John Mac-Donnell (MacDonnell Douglas), Edgard Woolard (DuPont de Nemours).

Tradução de Reinaldo Guimarães (IMS/Uerj).