No dia 13/12/95, reuniram-se com o Diretor da Finep, Dr. Celso Cruz, o Presidente da Sociedade Brasileira de Física, Francisco César de Sá Barreto, e Diretores e Chefes de Departamentos de Física das seguintes universidades:UFRGS, USP, UFSãoCarlos, IFSC\USP, UNICAMP, UFRJ, UFF, PUC\RJ, CBPF, UFMG e UFPE.
Os principais assuntos tratados na reunião, que durou duas horas, foram relativos aos atrasos no desembolso dos projetos em vigor (contratados para o período 92-94), situação dos projetos novos (para o período 95-97), o projeto BID e a roposta orçamentaria para o FNDCT.
Segundo o Dr. Celso está havendo grandes dificuldades no repasse dos recursos do tesouro, que foi normal até junho do corrente ano. Esse repasse limitou-se, até agora, a 40% do total previsto no orçamento da união. No momento existe 22 milhões de dólares de liberações acumuladas, que deverão ser pagas até março de 1996. Informou que a maioria dos projetos novos, que foram submetidos em 1994, já foi analisado. Entretanto, ainda não existe definição de alocação de recursos. A decisão final se baseará nos recursos BID e FNDCT -1996. Dentro do convênio BID a distribuição é a seguinte: 50 milhões de dólares para o PRODENGE (Engenharias), 30 milhões para Biociências, Física e Química e 16 milhões para as áreas sociais. Ele acha que essa distribuição não será alterada, pois se trata de uma imposição do BID. Uma outra imposição do BID é o limite de 10 milhões de dólares por instituição (por exemplo, universidade). Essa condição deverá gerar problemas para grandes universidades como USP, UFRJ, UFRGS, UFMG, etc. A Finep espera, através de negociação com o BID, aumentar esse limite para 15 milhões de dólares. Com relação ao FNDCT estão previstos 66 milhões de dólares no orçamento de 1996 e existe no congresso uma emenda orçamentaria de mais 40 milhões. Para esse recurso não existe nenhuma divisão prévia de áreas. Segundo ele a demanda definirá a divisão dos recursos FNDCT\Tesouro. Negou, quando perguntado, que a FlNEP esteja saindo das áreas básicas. Informou que as áreas básicas estão sendo incentivadas a participar do Prodenge.
A reunião apesar de informativa não deixou otimistas os dirigentes das instituições de ensino e pesquisa . A palavra de um dos diretores ilustra bem o clima final :" Mais uma vez vou sair frustado, ouvindo falar de milhões de reais, etc. Aí se começa a sonhar. Amanhã estaremos de volta às nossas instituições e teremos de conviver com pequenos orçamentos e muitas dívidas. Só ouvimos falar de dinheiro virtual. O que é concreto e real?. O concreto é que temos recebido da Finep algo como 10 mil dólares por ano por pesquisador. Com isso não se faz nada. De onde saíram os 6 ou 7 bilhões de reais que foram injetados em bancos falidos?"