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INFORMES (Físico brasileiro recebe Prêmio Elsevier pelo conjunto da obra)



Físico brasileiro recebe Prêmio Elsevier pelo conjunto da obra

Constantino Tsallis é homenageado por editora líder de mercado na área
científica


Entre equações e análises sofisticadas, o físico brasileiro Constantino
Tsallis descobriu sua vocação. E mais do que isso, ganhou prestígio e
respeito entre pesquisadores ao conceber a mecânica estatística não
extensiva, a "estatística de Tsallis" como é  conhecida no mundo
científico. "Esta forma de entropia representa uma generalização da
expressão matemática formulada no século 19 por Boltzmann e Gibbs. É uma
nova maneira de abordar sistemas complexos na mecânica estatística",
explica. A grandiosidade de seus estudos é legítima e no dia 2 de março
receberá o "Prêmio Elsevier" pelo conjunto da obra, em cerimônia a ser
realizada, às 16h, no auditório do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas,
Instituto do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Parte da importância de sua contribuição é a aplicabilidade de sua
pesquisa ao cotidiano. Hoje, é possível identificar melhor quando um
aeroporto deve ou não ser fechado em decorrência de uma tempestade; as
autoridades podem avaliar riscos com mais precisão, utilizando sua teoria.
Mas a sua utilização não se limita ao campo físico. Faz sucesso também na
biologia, na economia e até na lingüística, feito que garantiu a Tsallis
um
reconhecimento, inédito no Brasil, da Sociedade Européia de Física.
"Através dela é possível detectar câncer de mama, doença de Alzheimer e
patologias cardíacas. São resultados úteis para a humanidade. É a ciência
aplicada ao cotidiano", avalia.

Em 2004, o físico previu a existência, em sistemas não extensivos, de um
conjunto de índices chamado q-triplete. Para sua alegria, a NASA encontrou
estes três valores no vento solar e validou sua pesquisa, o que abre novos
caminhos para o estudo destes sistemas complexos. "Fiquei feliz de ter a
minha conjectura comprovada na natureza. O q-triplete é uma das provas",
pontua. Este resultado faz parte da exposição das Nações Unidas para 2007
- Ano Heliofísico Internacional, que esta sendo inaugurado em Viena.

Tsallis coleciona homenagens acumuladas ao longo de sua vida como
pesquisador. O Prêmio México de Ciência e Tecnologia, o Prêmio Cidade do
Rio de Janeiro de Ciência e Tecnologia e o Distinguished Scientist of the
Greek Diaspora (em português, algo como Cientista Destacado da Diáspora
Grega) são alguns exemplos.

Fica fácil entender o que faz do físico Constantino Tsallis um orientador
muito procurado por mestrandos e doutorandos. "São brasileiros,
argentinos, chilenos, peruanos, italianos, portugueses, gregos, turcos. A
mecânica estatística não extensiva conta hoje com mais de 2 mil
publicações feitas por 1.500 cientistas de 60 países", comenta o
cientista, que já proferiu mais de 700 palestras ao redor do mundo.

Nascido na Grécia em 1943, aos quatro anos Tsallis emigrou com a família
para o Brasil. Depois, mudou-se para a Argentina, passou pela França, onde
fez o doutorado, e retornou ao Brasil em 1975. Foi em 1984 que se
naturalizou brasileiro e é hoje uma das maiores autoridades em Ciência do
mundo.