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EVENTOS (Fórum de Astronomia e Astrofísica no MCT - Workshop de 13/03/2008 no INPE)



Fórum de Astronomia e Astrofísica no MCT - Workshop de 13/03/2008 no INPE



João Braga, José Williams, Odylio Aguiar, Thyrso Villela, C. Alexandre Wuensche, José C. Araújo (INPE)

L. Nicolaci da Costa, Márcio Maia, Paulo Pellegrini, Roberto Martins (ON)

Martin Makler (CBPF)





Este documento apresenta uma avaliação preliminar das questões que nortearam as discussões do 3º. workshop sobre a astronomia e astrofísica nas unidades de pesquisa (UPs) do MCT, ocorrido em 13 de março de 2008 nas dependências do INPE.



Essencialmente, procurou-se discutir a estrutura atual das atividades na área de astronomia e astrofísica dentro do MCT, envolvendo pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico. A idéia desses workshops é buscar mecanismos para tornar essa estrutura mais eficiente e eficaz, identificando oportunidades de parcerias e de desenvolvimentos conjuntos entre as UPs que têm atividades nesta área, evitando assim duplicações desnecessárias e pulverização de recursos. Procurou-se identificar as iniciativas que já apresentam sinergia entre as instituições, a maneira como os recursos são distribuídos e quais os mecanismos de tomada de decisão que são geralmente usados.



A área do conhecimento astronomia e/ou astrofísica está presente nas atividades de cinco UPs do MCT: Observatório Nacional (ON), Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e Museu de Astronomia (MAST). Em termos de sócios da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), essas UPs representam cerca de 20% dos quase 600 sócios. Se considerarmos apenas os doutores, os profissionais das UPs do MCT representam a expressiva percentagem de cerca de 40% da comunidade. Deve-se ressaltar também que diversas sub-áreas da Astronomia, tais como radioastronomia, astronomia óptica e no infravermelho, astronomia de raios X e gama, ondas gravitacionais e astropartículas, não estão igualmente distribuídas nas UPs do MCT. Uma delas (astronomia óptica e no infravermelho) se faz presente em todas as UPs, enquanto todas as outras sub-áreas estão em apenas uma ou duas UPs.



Entre as principais questões, identificadas neste workshop, que mereceriam discussões mais aprofundadas pela comunidade, destacamos a inexistência de um orçamento específico para a área de astronomia/astrofísica no âmbito do MCT. Os recursos do tesouro são liberados para as instituições através de ações de diferentes programas do Plano Plurianual (PPA) do Governo Federal. Além disso, as UPs possuem estruturas organizacionais diferenciadas, nas quais as atividades de astronomia/astrofísica em alguns casos desenvolvem-se em paralelo com as áreas de geofísica, ciências espaciais e física em geral. Essa diversidade já mostra claramente uma desarticulação e uma falta de planejamento integrado para a área de astronomia/astrofísica no MCT.



Uma outra questão bastante relevante, que requer também uma reflexão aprofundada, está na inexistência de mecanismos integrados de tomada de decisões na área. Atualmente, o CTC do LNA vem assumindo na prática o papel de um fórum nacional de discussão e deliberação sobre os projetos de astronomia e astrofísica no país, sejam atuais ou futuros. Embora o LNA seja um laboratório nacional e abrigue os escritórios nacionais dos telescópios Gemini e SOAR, acreditamos que o seu CTC não seja o fórum ideal para essas deliberações, já que outras UPs também possuem CTCs atuantes. Por exemplo, o CTC do INPE, muito embora o instituto seja o único órgão civil executor do Programa Espacial Brasileiro, não pode ter poder decisório sobre a Política Espacial Brasileira, já que outras instituições estão envolvidas.



Dessa forma, entendemos que deva ser instituído um fórum mais adequado do que o CTC do LNA para representar de forma integrada toda a comunidade astronômica e deliberar sobre a política científica e tecnológica para a astronomia brasileira no âmbito das unidades de pesquisa do MCT. Esse fórum deve incluir pesquisadores não apenas relacionados com atividades em astronomia óptica mas também com todas as outras áreas da astrofísica moderna, envolvendo observações de radiação eletromagnética em todos os comprimentos de onda, desenvolvimentos instrumentais e de software, técnicas experimentais e observacionais, cosmologia, astrofísica relativística e astrofísica teórica.



Outra questão importante, dentro do escopo das decisões tomadas em astronomia, é o processo de escolha dos comitês de busca para dirigentes das UPs do MCT. No modelo vigente, a comunidade de pesquisadores em astronomia das UPs não é consultada para opinar em nenhuma das suas instâncias. Na prática, as decisões sobre as composições desses comitês não levam em conta as opiniões da comunidade de astrônomos e astrofísicos das UPs. A criação do fórum acima citado, representativo da comunidade astronômica brasileira no âmbito do MCT, poderia também ser uma instância de consulta adequada no que refere à escolha de diretores das UPs com atividades em astronomia/astrofísica.



Outros workshops como este irão ocorrer em datas oportunas para dar continuidade e mais profundidade às discussões sobre as questões levantadas aqui. O final do processo será a elaboração de um documento detalhado e completo, que será encaminhado ao MCT e à comunidade astronômica brasileira. A próxima reunião está marcada para o dia 29 de abril de 2008 e será realizada novamente no INPE.




Dr. João Braga - INPE
braga@das.inpe.br
tel. 12-39456029